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INTRODUÇÃO À PUPUNHA

Charles R. Clement

Família: Palmae (Arecaceae)

Espécie: Bactris gasipaes Kunth

Sinônimos: Bactris gasipaes H.B.K., Guilielma speciosa Martius, G. utilis Oersted, G. gasipaes (H.B.K.) L.H. Bailey.

Nomes comuns: pupunha (Brasil), chontaduro, cachipay (Colombia), pejibaye (Costa Rica), chontaruro (Equador), pijuayo (Perú), gachipaes (Venezuela), peach palm, pewa nut (Trinidad).

Espécies relacionadas

O genero Bactris já conteve até 250 espécies, embora Henderson et al. (1995) tenham considerado que muitos dos nomes são sinônimos e tenham aceitado somente 64 espécies. No norte da América do Sul, numerosas espécies de Bactris são usadas ocasionalmente como frutos comestíveis, porém nenhuma delas atinge a importância da pupunha.

Descrição e fenologia

A pupunha é uma palmeira caespitose (multi-caule) que pode atingir 20+ m de altura. O diâmetro do caule varia de 15 a 30 cm e o comprimento dos entrenós de 2 a 30 cm. Os entrenós são armados com numerosos espinhos rígidos e pretos ou marrom escuro, porém, existem mutações sem espinhos selecionadas pelos Ameríndios em diversas áreas de ocorrência da espécie. O ápice do estipe sustenta uma corôa de 15 a 25 fôlhas pinadas, com os folíolos inseridos em diferentes ângulos. As fôlhas tenras não expandidas, localizadas no centro da corôa, formam o palmito, um importante produto econômico. A inflorescência monoica aparece nas axilas das fôlhas senescentes. Após a polinização, os cachos podem conter entre 50 e 1000 frutos e pesar de 1 a 25 kg (Tabela 1). Diversos fatores, tais como nutrição ou polinização deficiente, estiagem, competição, e ataque de insetos e doenças podem causar o aborto e contribuir para o baixo peso médio do cacho. Os frutos individuais pesam entre 10 e 250 g (Tabela 2) e tradicionalmente são o principal uso econômico.

O fruto maduro possui um epicarpo fibroso que varia de côr, podendo ser vermelha, laranja ou amarela, e um mesocarpo amiláceo a oleoso e úmido, com um endocarpo envolvendo um endosperma fibroso e oleoso.

Mora Urpí & Clement (1988) classificaram 8 raças primitivas de pupunha na Amazônia e Clement (1986a) classificou mais uma na mesma região. Mora Urpí (1993) classificou as raças ocidentais, ou seja, do litoral Pacífico de Colombia e América Central. A composição do mesocarpo varia consideravelmente dentre e entre essas raças, tal como ocorre com os caracteres do cacho e fruto.

Na Amazônia central, a pupunha floresce desde agôsto até outubro, com o principal período de frutificação entre dezembro e março. No entanto, em condições edafoclimáticas favoráveis poderá ocorrer um período de menor florescimento durante maio-junho com frutificação em agôsto-setembro, especialmente após um ano de pouca frutificação. Na costa Atlântica de Costa Rica, a principal estação de frutificação ocorre em agôsto-novembro (Mora Urpí, 1984).

Tabela 1. A composição física dos cachos de pupunha de diferentes áreas geográficas.

Área geográfica Cacho
(kg)
Frutos Fruto/Cacho
(%)
(kg) (núm.)
Litoral Pacífico de Colombia1 3,3 2,9 61 87
Costa Rica2 4,8 4,4 106 91
Rios Solimões e Amazonas3 3,6 3,3 96 93
Bacia Amazônica4 7,9 7,6 149 96

1Piedrahita & Velez (1982); 2Clement (1986a); 3Arkcoll & Aguiar (1984); 4Clement & Mora Urpí (1988).

Tabela 2. A composição física dos frutos de pupunha de diferentes áreas geográficas.

Área geográfica Fruto
(g)
Semente
(g)
Mesocarpo
(%)
Polpa*
(%)
Litoral Pacífico de Colombia1 50 3,6 80,8 92,8
Costa Rica2 42 4,6 - 88,5
Rios Solimões e Amazonas3 35 2,9 76,1 90,3
Bacia Amazônica4 58 4,1 - 91,7

* Polpa = Mesocarpo + Exocarpo

1Piedrahita & Velez (1982); 2Clement (1986a); 3Arkcoll & Aguiar (1984); 4Clement & Mora Urpí (1988).

Distribuição, abundância e ecologia

A pupunha foi distribuída pelos Ameríndios no período pré-Colombiano, desde seu provável centro de origem e domesticação no sudoeste da Amazônia (Clement, 1988). Na época do contato com os europeus (1500 AD) foi encontrada desde o sudeste de Honduras no norte (16o N) até o sudeste de Bolívia (18o S) no sul, e do baixo Rio Amazonas (Brasil) no este até o litoral Pacífico da Colombia e Equador no oeste.

A pupunha é uma espécie domesticada (Clement, 1988, 1992) e, como tal, somente ocorre onde o homem a tem plantado. Sua abundância, portanto, depende de sua importância para o homem local. Na Amazônia ocidental e no sul de América Central, por exemplo, onde a pupunha teve uma longa história de uso, pode ser extremamente abundante. Patiño (1963) relata a importância da pupunha no sul de Costa Rica logo depois da época do contato (1520 AD), quando alguns mercenários espanhóis cortaram 50,000 estipes de pupunha numa só área, pelo qual foram mais tarde punidos pelos sistema judicial real recentemente instalado.

Por ser uma espécie domesticada, a tolerância ecológica da pupunha é muito mais ampla do que qualquer um de seus prováveis ancestrais. Sua frutificação ocorre nas seguintes condições: de 2 a 1.200 m acima do nível do mar; com chuvas de 1500 a 5000 mm (estiagem de mais de 3 meses pode reduzir a frutificação, ou seja, a distribuição adequada de chuvas é muito importante); em solos moderadamente arenosos a muito argilosos (se estes forem bem drenados); em solos pobres a ricos em nutrientes (obviamente produzindo melhor em solos mais ricos); ao pleno sol, pois a planta não tolera a sombra após a fase de estabelecimento. Devido ao rápido crescimento do caule, pode ser combinada com outras espécies, principalmente as de menor estatura, tolerantes à sombra.

Usos e potencial econômico

Clement & Mora Urpí (1987) e Clement & Arkcoll (1989) descrevem cinco possíveis usos da pupunha com potencial econômico nos mercados locais, regionais, nacionais e até internacionais. Alguns destes usos estão diretamente relacionados com a composição do mesocarpo (Tabelas 3, 4).

Usos principais

Fruto cozido para consumo humano direto

Tradicionalmente, o fruto da pupunha é consumido de uma única forma na maioria dos lugares onde ocorre: após separados do cacho, os frutos são cozidos em água com sal durante 30 a 60 minutos para melhorar o sabor e eliminar cristais de oxalato de cálcio que se encontram na casca e irritam a boca (Arkcoll & Aguiar, 1984) e um inibidor de tripsin (Murillo et al., 1983). Piedrahita & Velez (1982) informam que o cozimento dos frutos por 15 a 20 minutos desativa a enzima peroxidase. Os frutos são então descascados, partidos pelo comprimento, a semente extraída e estão prontos para o consumo, servidos como tira gosto, lanche ou com café. Os frutos de tipo seco (amidoso) são mais saborosos quando acompanhados por maionese ou outro tipo de molho. Um outro uso para os frutos cozidos é na preparação de diversas comidas caseiras, ou moídos para produção de farinha que pode ser usada em uma variedade de receitas culinárias. Calvo (1981) compilou cerca de 40 receitas de pupunha e Kerr et al. (1997) compilaram mais de 60.

Tabela 3. A composição química do mesocarpo do fruto de pupunha (% peso seco).

Autor H2O Proteína Óleo Carbohidratos Fibra Cinza
Piedrahita & Velez (1982)1 49,8 9,8 11,5 73,7 2,8 2,4
Arkcoll & Aguiar (1984)2 55,7 6,9 23,0 59,5 9,3 1,3
CIPRONA (1986)3 56,7 6,1 8,3 79,9 3,6 2,1

1 Litoral Pacífico de Colombia; 2 Rios Solimões e Amazonas; 3 Costa Rica.

A pupunha típica possui um sabor próprio, distinto, suave a forte (dependendo do teor de óleo e caroteno e do estado de maturação). Mesmo sendo um sabor apreciável, não chega a ser bastante atraente para gerar novos mercados sem que haja um controle de qualidade e marketing imaginativo (FAO, 1986). Alguns autores tem relacionado o sabor da pupunha com o da castanha européia (Castanea sativa) (Popenoe & Jimenez, 1921; NRC, 1975). Arkcoll & Aguiar (1984) encontraram pupunhas com sabor de batata, milho e macaxeira, bem como acentuadamente doce.

Tabela 4. Vitaminas presentes no mesocarpo de pupunha (em 100 g mesocarpo fresco).

Autor -caroteno Niacina
(mcg)
Vit. C
(mcg)
Riboflavina
(mcg)
Tiamina
(mcg)
Johannessen (1967) 315 mcg 0,12 1,19 - -
I.N.N. (1959) 7300 I.U. 0,9 20,0 0,11 0,04
Leung & Flores (1961) 670 mcg 1,4 35,0 0,16 0,05
Arkcoll & Aguiar (1984) 0-70 mg - - - -

O fruto da pupunha possui um mesocarpo de textura variável, comparável com a da batata até a da castanha de cajú. A textura é determinada pela quantidade de água, amido, fibra e óleo. As preferências por determinados tipos de fruto variam de região a região. Em Costa Rica, os "melhores" frutos são secos e bastante amidosos, com uma textura similar a de castanha. Em Manaus, os tipos de frutos preferidos são moderadamente amidosos, algo oleoso e úmido, com uma textura firme mas menos rígida do que a textura da castanha.

Em Costa Rica, os frutos da pupunha são também vendidos em potes e jarras de conservas de 500 a 1000 g, usando o fruto inteiro ou partido, com ou sem semente, descascado ou com casca. A qualidade destes produtos é extremamente variável, mas vendem bem quando os frutos frescos não estão disponíveis. Na Colômbia, o fruto desidratado tem sido introduzido no mercardo, porém este autor não o tem experimentado ainda.

Na Amazônia, o mercado para frutos de boa qualidade é razoável mas facilmente saturado. Ao longo das últimas duas décadas o INPA estimulou o plantio de pupunha para este mercado na região de Manaus e a produção local aumentou consideravelmente. No entanto, durante o pico da safra, muitos produtores acham antieconômico coletar e comercializar os frutos porque o preço é muito baixo. Este mesmo fenômeno aconteceu com o Projeto RECA, no Acre, cujos 300 ha de pupunha saturaram o mercado de Rio Branco no primeiro ano de produção plena. Tanto no caso de Manaus, como de Rio Branco, o mercado para certos tipos de frutos permanece bom ou razoável mesmo durante o pico de produção. Os produtores de pupunha precisam identificar as matrizes que possuem características perferidas pelos consumidores no pico da safra e, junto com as instituições de pesquisa, criar populações de pupunha com estas características. Outra alternativa é enlatar ou envasar os frutos para vender durante a entresafra, como fazem os costarriquenhos. Esta última alternativa está a espera de um empreendedor imaginativo!

Fruto para farinha

A preparação de farinha de pupunha é uma forma de evitar a saturação do mercado de frutos in natura e diversificar a demanda para a pupunha. Diversas das receitas de Calvo (1981) e Kerr et al. (1997) são para fazer pães, bolos e outras guloseimas utilizando a farinha da pupunha. Tracy (1986, 1987) realizou alguns experimentos culinários em Costa Rica utilizando diferentes porcentagens de farinha de pupunha e de trigo para fazer pão: com 90% de farinha de trigo e 10% de farinha de pupunha obteve-se um pão com excelente características, contendo um pouco menos de proteína e mais energia (obtida do óleo) e alto teor de vitamina A ( -caroteno); misturando 85% de farinha de trigo com 15% de farinha de pupunha, obteve-se uma massa moderadamente mais pesada, similar a de pão integral. Ambos tipos de pães foram bem aceitos por um pequeno grupo de consumidores, podendo ser uma excelente opção para os mercados de "produtos naturais." Tracy (1986) também testou diversas receitas de bolos com excelentes resultados, tanto a nível de cozinha como de mercado.

Clement & Mora Urpí (1987) mencionam que a farinha da pupunha é bastante similar a farinha de milho e pode substituí-las em diversos usos, com vantagens nutricionais. A farinha da pupunha foi um dos produtos alternativos desenvolvidos pelos Ameríndios, que aparentemente domesticaram as raças "macrocarpa" Putumayo e Vaupés especificamente para este propósito (Clement, 1988). Estas raças possuem frutos grandes, alta quantidade de amido e baixo nível de óleo, sendo excelentes para fazer farinha que pode ser armazenada por longos períodos. Esta farinha pode também ser fermentada para fazer caissuma (Brasil) ou masato (Perú), um tipo de bebida com sabor de pêssego e moderada quantidade de alcóol se permitido a fermentar por alguns dias. Também pode ser usada para fazer uma variedade de iscas ou tira-gosto que podem encontrar um amplo mercado. Outra vez, existe uma oportunidade boa para um empreendedor imaginativo.

Esta opção de uso está sendo ensaiada pelo Projeto RECA, no Acre, para permitir a comercialização de frutos sem demanda no mercado de Rio Branco. Na safra de 1997, a farinha de pupunha foi vendida neste mercado e existe potencial para expandir a demanda via a produção de produtos acabados (bolos, pães, etc.). Algumas lojas de produtos naturais em São Paulo estão vendendo farinha de pupunha produzida em comunidades ao longo do Rio Solimões. Na Feira Agropecuária do Amazonas, em 1996, bolos de farinha de pupunha foram bem aceitos pelo público. Em Costa Rica, diversas companhias estão vendendo farinha de pupunha no mercado local com bastante sucesso. A população brasileira poderia estar pronta para aceitar a farinha de pupunha se esta for introduzida na forma de produtos acabados e se farinha de boa qualidade se tornar disponível no mercado. Neste momento, não existe um pacote tecnológico para orientar o produtor ou processador ou padeiro, mas a tecnologia de preparar farinha de mandioca funciona muito bem na elaboração da farinha de pupunha. Os usuários precisam exigir respostas das instituições de pesquisa e colaborar com as mesmas para viabilizar esta opção de uso da pupunha.

Fruto para ração animal

A produção de ração animal é o maior uso alternativo da pupunha sendo estudado no momento em Costa Rica. Considera-se que o fruto seco da pupunha pode substituir o milho parcial ou completamente em diversos usos, especialmente em ração animal. Murillo & Zumbado (1986) revisaram os trabalhos sobre alimentação de frangos. Esta equipe (Soto, 1983, Zumbado & Murillo, 1984, Cooz, 1984, Loynaz, 1985, Facuseh, 1986, Espinoza, 1986) tem estudado a preparação da farinha da pupunha (auto-clavagem, extrusão, secagem ao sol, etc.) e níveis de substituição de milho para rações iniciais e principais, tanto para frangos como galinhas poedeiras.

Usando fruto de segunda qualidade (os de primeira qualidade possuem alto valor no mercado de fruto fresco), a pupunha pode ser a principal fonte de energia para rações, porém deve ser usada em menor quantidade para rações iniciais. O tratamento a base de calor é essencial, especialmente para desativar o inibidor de trypsin (Murillo et al., 1983) nas rações iniciais. Para este tipo de tratamento, o método de extrusão é o mais econômico. A substituição do milho pela pupunha a altos ou moderados níveis (30-100%) também permite a produção de uma alimentação mais barata, para ambos tipos de rações, considerando-se os custos de Costa Rica para milho e pupunha de segunda qualidade.

Uma opção atrativa que evita tratamentos térmicos é o método de ensilagem do fruto no sítio e seu uso direto, com um suprimento de proteína. É conhecido que a fermentação ácida pode quebrar fatores anti-nutricionais (Sangil, 1985) e é muito apreciado pelos porcos (I. Araújo, com. pess.). A ensilagem seria um excelente meio de baratear a armazenagem do fruto da pupunha para alimentação de animais para o pequeno produtor.

Com a construção do porto de Itacoatiara e o aumento esperado no processamento de soja e milho, a viabilidade econômica de pupunha para ração animal precisa ser muito bem estudada antes de iniciar um projeto. A razão é que o milho e a soja são parcialmente subsidiados pelo estado e, mesmo quando não são, tem um preço muito inferior ao da pupunha (mesmo de segunda qualidade). Adicionalmente, os custos de produção de pupunha na Amazônia brasileira são mais altos do que em outras locais, de forma que a pupunha pode não ser competitiva com o milho. Para o pequeno produtor interessado numa pequena criação de porcos e aves, no entanto, a ensilagem de pupunha pode ser atrativa.

Palmito

O palmito é a principal razão que a pupunha está sendo plantada em larga escala atualmente. Existem mais de 10.000 ha de pupunha plantada para palmito em Costa Rica (Mora Urpí et al. 1997), cerca de 8.000 ha no Brasil (Bovi 1997), com pelo menos 1.000 ha na Amazônia (principalmente no Acre). A plantação de pupunha fornece um melhor produto que a extração de açaí (Euterpe oleracea e E. precatoria) e permite um melhor contrôle de qualidade no produto final. Esses fatores estão contribuindo sensivelmente para abrir um amplo mercado para a pupunha no Brasil.

Costa Rica e Brasil desenvolveram o processamento tecnólogico para o palmito de pupunha. Estudos mais detalhados sobre este processamento foram feitos por Ferreira et al. (1982ab), do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), em Campinas, São Paulo, que resultaram no padrão para palmito em salmoura no Codex Alimentarus (FAO/OMS).

Recentemente, o INPA realizou um estudo sobre embalagem e conservação de palmito in natura, encontrando que palmito limpo, recém tirado, pode ser conservado em sacos plásticos na geladeira por até 14 dias sem deterioração. Esta tecnologia deveria expandir significantemente o mercado de palmito, já que este possui maior uso como produto fresco do que como produto processado. Um mercado incipiente para palmito in natura apareceu em São Paulo e Rio de Janeiro no final de 1997, com preços muito atrativos para os produtores - R$18 / kg no varejo! (R$1,10 = US$1,00 em novembro 1997).

A maioria das plantas de pupunha contém espinhos, tanto no tronco como no pecíolo da fôlha e raquis, o que dificulta a extração do palmito. No entanto, algumas populações da Amazônia ocidental, especialmente ao redor de Yurimaguas, Perú, e Benjamin Constant, AM, contém muitas plantas sem espinhos (Clement et al., 1988). Em outras populações da Amazônia ocidental, a quantidade de espinhos varia. Em Costa Rica, existe uma população sem espinhos, cujo germoplasma forma a base genética para os programas de melhoramento atualmente em andamento naquele país.

Além do palmito, cada estipe de pupunha fornece dois outros produtos: o estipe tenro, obtido da parte logo abaixo do palmito e as folhas tenras não envolvidas numa bainha, obtidas da parte logo acima do palmito. O estipe tenro (também chamado de "coração" - termo incorreto que deve ser evitado) possui uma textura diferente mas o sabor é igual ao do palmito. Este pode ser utilizado como um ingrediente para sopas, ou finamente cortado (transversalmente) pode ser usado da mesma forma como o o brôto de bambú, ou pode ainda ser frito. As folhas tenras incluem um pouco de pecíolo e folíolos que podem ser servidos como salada. No entanto, a comercialização das folhas pode ser dificil porque estas são de tamanho muito irregular e mais perecíveis ainda do que o própio palmito.

Atualmente o interesse no palmito de pupunha é muito grande e a demanda para sementes é constante, com a maioria sendo importada do Perú, embora exista um produtor brasileiro localizado em Manaus. O mercado está começando a diferenciar-se e oferece opções distintas tanto para produtores como para consumidores. Alguns dos nichos são:

O mercado tradicional é para palmito processado, tipo supermercado; este palmito possui um diâmetro de 1,5 a 2,5 cm, um comprimento de 9 cm, e é enlatado ou envasado em uma salmoura (sal e ácido cítrico) que permite sua conservação por muito tempo. Este é é maior segmento do mercado e a tendência da pupunha é substituir aos poucos o palmito de açaí neste mercado; para substituir toda a demanda para palmito processado existente em 1990, será necessário plantar ao redor de 100.000 ha de pupunha, embora este nível de substituição seja pouco provável porque o manejo de açaí é factível e, aliado a um eficiente controle de qualidade, produz um palmito de boa qualidade. Este é o tipo de palmito exportado.

O mercado de palmito processado está abrindo um nicho para palmitos de grande diâmetro (3 a 6 cm) que são avidamente procurados pelas churrascarias. Originalmente este mercado foi atendido pela Euterpe edulis, da Floresta Atlântica, e a firma BONAL, no Acre, está fornecendo palmito de pupunha para este mercado hoje. O tamanho deste mercado ainda não foi determinado, mas sabe-se que o brasileiro gosta muito de churrasco e palmito.

Também no mercado de palmito está se ampliando um nicho para o estipe tenro o qual pode ser cortado em diferentes tamanhos e formas e processados como palmito. Os restaurantes apreciam este produto em saladas. O estipe tenro, que sempre acompanha o palmito fornece também um lucro extra para o processador.

O palmito in natura foi importante na Floresta Atlântica antes da dizimação das populações de E. edulis e agora está retornando com a produção de pupunha na região. Este produto possui qualidades superiores às do palmito processado, por possuir uma aparência, textura e sabor bastante atrativos e não conter flacidez, sal e ácido existentes no palmito processado. Ainda não está definido o diâmetro mais apropriado para a comercialização deste palmito. O tamanho deste mercado dependerá do esforço de marketing e o desenvolvimento da tecnologia de embalagem e conservação, porém este produto tem o potencial de liderar o mercado devido à sua melhor qualidade. Sem muita tecnologia, o mercado local e o mercado gourmet no exterior são factíveis, pois o primeiro está mais próximo e o segundo pode pagar o suficiente para usar transporte aéreo e refrigeração ao longo da viagem.

Um nicho que ainda não está sendo explorado no Brasil é o de produto processado em marinados especiais. Os costarriquenhos estão outra vez na frente neste mercado, usando marinados similares aos usados com alcachofra e outras hortaliças finas. Uma outra opção são os marinados para pepinos, especialmente os mais suaves. O desenvolvimento destes marinados é uma questão de experimentação caseira, pois cada variante poderia ter valor e servirá como um "segrêdo" empresarial.

Usos secundários

Fruto para óleo

Arkcoll & Aguiar (1984) foram os primeiros a observar o potencial do óleo da pupunha. Procurando por frutos com alto teor de óleo, estes autores encontraram casualmente um fruto com 62% de óleo no mesocarpo seco e 34% de óleo no peso do cacho, valores similares aos encontrados em dendê (Elaeis guineensis). Clement & Arkcoll (1991) posteriormente observaram que frutos oleosos são mais frequentes nas populações mais primitivas, ou seja, as menos selecionadas, especialmente no grupo racial "microcarpa." Este fato parece ser devido a seleção para amido feita pelos Ameríndios, que, sendo negativamente correlacionada com o óleo, significa que as raças mais selecionadas possuem baixo nível de óleo no mesocarpo. Enquanto a produção de óleo da pupunha por hectare (extrapolado das melhores plantas e assumindo clonagem in vitro (Clement & Arkcoll, 1991)) é mais baixa do que a de culturas estabelecidas (ex. óleo de dendê produz 5 t/ha/ano de óleo vegetal), é mais alta do que estas em um estágio similar de desenvolvimento, sugerindo que os métodos modernos de produção e biotecnologia poderiam produzir rapidamente uma nova cultura para óleo (Clement & Arkcoll, 1991).

Mesmo que já existem excelentes cultivos para óleo nos trópicos úmidos (e.g., dendê e coco, Cocos nucifera), a necessidade para uma maior diversidade é bem demonstrada pelas doenças e pragas que limitam a produtividade desses cultivos em diversos países (Meunier, 1976). A pupunha ainda possui a vantagem de fornecer um produto comestível após a extração do óleo, a torta, adequada tanto para a alimentação humana como animal.

O óleo da pupunha contém maior quantidade de ácidos graxos insaturados do que o óleo de dendê (Tabela 5), porém é similar ao óleo do caiaué (Elaeis oleifera) que está sendo usado para melhorar a qualidade de óleo de dendê (Hartley, 1977). Atualmente o óleo insaturado possui excelente valor de mercado, sendo interessante tanto do ponto de vista nutricional como industrial.

Como observado por Arkcoll & Aguiar (1984) e enfatizado por Clement & Arkcoll (1991), a maioria dos frutos da pupunha possui problemas de separação de óleo quando este é extraído por pressão. O óleo, amido e água formam uma emulsão que precisa ser separada por solventes. Existem frutos que possuem boas características de separação, porém usando somente estes reduziria severamente a base genética de qualquer programa de melhoramento. Os frutos mais oleosos são relativamente secos, de forma que a separação do óleo pode ser mais simples utilizando materiais melhorados.

Pelo fato que o potencial da pupunha como cultivo oleaginoso requerá um programa de melhoramento formal, ou seja, feito por uma ou mais instituições de pesquisa, este potencial é de longo prazo, pois ainda não existe uma demanda para um novo cultivo oleaginoso na Amazônia. No entanto, poderá existir um nicho para grupos de pequenos produtores que já possuem pupunha oleosa, pois o óleo é rico em -caroteno e tem bom sabor.

Tabela 5. Médias da composição de ácidos graxos no óleo do mesocarpo de pupunha (% oleo).

Autor Ácidos Graxos1 %
Saturação
C16:0 C16:1 C18:0 C18:1 C18:2 C18:3
Zapata (1972) 40,2 10,5 0,4 47,5 1,4 - 59,4
Hammond et al. (1982) 29,6 5,3 traço 50,3 12,5 1,8 69,9
Silva & Amelotti (1983) 44,8 6,5 1,5 41,0 4,8 1,0 53,3
CIPRONA (1986) 32,2 8,3 1,5 45,5 11,6 2,0 67,4
Dendê2 42,2 - 4,9 40,6 11,2 - 51,8

1 Ácidos graxos: C16:0 - palmítico; C18:0 - esteárico; C16:1 - palmitoléico; C18:1 - oléico; C18:2 - linoléico; C18:3 - linolénico
2 Noiret & Wuidart (1976).

Madeira

A produção de frutos de pupunha gera um produto adicional periodicamente: a madeira. Considerando-se que a pupunha cresce rapidamente, tornando-se alta de mais para coletar os frutos com facilidade, é indicado renovar as plantações para frutos periodicamente, eliminando-se alguns dos estipes e utilizando-se a madeira. A madeira da parte externa do estipe da pupunha possui uma côr parda-escura atrativa, com fibras amarelas, forte, durável, fácil de trabalhar, aceitando um bom polimento, podendo ser utilizada na fabricação de tabique (Mora Urpí, 1984). Pesquisas no INPA identificaram qualidades especiais que sugerem seu uso em instrumentos musicais (Jadir Rocha, com. pess., 1997). Patiño (1963) menciona vários usos Ameríndios para esta madeira, alguns dos quais foram adaptados pelas indústrias locais de artesenato em Colômbia.

Métodos de coleta e produção

A produção de frutos de pupunha tem sido estimada somente para pequenas áreas ou plantas em sistemas agroflorestais. Mora Urpí (1984) relata 25 t/ha/ano de frutos frescos, obtidos de germoplasma (raça "mesocarpa" ocidental) não selecionado e fertilizado, crescendo em boas condições climáticas em Costa Rica. Clement et al. (1987) relata uma produção de 6-10 t/ha/ano de populações (raça "microcarpa" Pará), cujos frutos foram obtidos de germoplasma não selecionado e fertilizado, plantado em solos pobres e com três meses de estiagem, próximo de Manaus. Moreira Gomes et al. (1987) relatam uma produção de 24 t/ha/ano da população de Fonte Boa (raça "mesocarpa" Solimões), com frutos obtidos de germoplasma não selecionado e fertilizado, plantado em solos pobres com clima favorável. Clement & Mora Urpí (1987) informam que deverá ser possível conseguir uma produção de até 50 t/ha/ano dentro de um ou dois ciclos de qualquer programa de melhoramento. No entanto, será necessário eliminar fatores que podem causar a queda precoce dos frutos, especialmente nos solos mais pobres.

O potencial de produção para ração animal deveria ser similar ao do fruto fresco, especialmente se estes forem ensilados. Para alimentação de frangos, o fruto deve ser secado, o que o reduz o produto final a 50% da produção inicial. Por meio de programas de melhoramento, o fruto pode ser selecionado para amido e baixo teor de óleo, e produzir um excesso de 25-30 t/ha/ano de fruto fresco (Clement, 1988).

Em algumas áreas dos trópicos úmidos, os cereais não produzem bem sem muitos cuidados e conhecimento. Nos latossolos pobres em nutrientes próximo de Manaus, por exemplo, os pequenos produtores de milho raramente obtém mais de 800-1000 kg/ha/ano. Dada as poucas exigências da pupunha, esta pode desenvolver um mercado como um componente de ração animal, se for produzida a menores custos do que o milho importado. Tracy (1985) obteve um pequeno lucro estimado ao usar o calor do sol para secar pupunha de segunda qualidade para ração animal em um clima chuvoso. Portanto, a utilização de métodos de secagem eficiente e de baixo custo poderia aumentar os lucros do produtor.

Como Tracy (1985) comenta, em regiões que não produzem cereais para pão, como os trópicos úmidos, mesmo 10% de substituição de trigo pela pupunha pode causar um efeito favorável no balanço de pagamentos causado pela redução na importação de trigo. É possível atingir uma produção de 10-12 t/ha/ano de farinha seca de pupunha, se pragas e doenças forem controladas (Clement & Mora Urpí, 1987). A farinha da pupunha para o consumo humano deve ser de alta qualidade e um rígido contrôle fitossanitário é extrememente importante.

Clement & Arkcoll (1991) consideram que a produção de 2-3 t/ha/ano de óleo é viável com clonagem in vitro das melhores plantas e poderia alcançar 5+ t em um programa de melhoramento. Também é necessário solucionar o problema da queda precoce dos frutos antes que a pupunha para óleo se torne comercialmente viável.

A coleta dos cachos de pupunha é feita usando uma vara comprida com uma faca curvada ou gancho preso na ponta para cortar ou puxar o cacho. Um pano ou colchão é usado para apará-lo e evitar que caia no solo, pois isto reduz sua qualidade no mercado e sua vida na prateleira. Mesmo que este método de coleta seja extrememente ineficiente, os pequenos produtores raramente possuem condições econômicas para desenvolver ou comprar melhor tecnologia. A Universidade de Costa Rica desenvolveu alguns métodos alternativos de coleta, porém os resultados obtidos no laboratório foram ineficientes no campo, e portanto, não tem sido aceito pelos produtores. Durante uma excursão de coleta financiada pela US AID em 1983, observou-se alguns produtores de Coarí, Amazonas, utilizando uma vara comprida com uma faca e uma cesta na ponta para a coleta da pupunha. Na maioria das vêzes após o corte, o cacho caía dentro da cesta que deslizava pela vara abaixo. Esta tecnologia simples e promissora merece aperfeiçoamento.

No caso de pupunha para palmito, Moreira Gomes & Arkcoll (1988) citam uma produção de 1,2 t/ha, para a primeira coleta (2 anos) de palmito de pupunha de qualidade exportação de palmeiras plantadas em latossolos fertilizados em Manaus, caindo para 600 a 900 kg/ha em coletas subsequentes. É possível que este declínio seja devido principalmente à forma de manejar as plantações, e não a fatores biológicos. Zamora (1985) cita uma produção de 3 t/ha/ano de palmito coletado em Costa Rica, com 20 a 30% desta sendo de qualidade exportação. Utilizando-se germoplasma selecionado e boas práticas agronômicas é possível alcançar cerca de 2 t/ha/ano de palmito para exportação.

Métodos de propagação e cultivo

Geral

Na ausência de tecnologias mais elaboradas, descrevemos aqui uma metodologia para propagação e cultivo bastante simples que pode ser seguida facilmente por pequenos produtores com pouco capital (Clement, 1989). Maiores detalhes podem ser obtidos junto ao INPA ou à EMATER local.

Em áreas onde a pupunha é indígena, a semente pode ser obtida de plantas selecionadas para caracteres desejáveis do fruto, alta produção e ausência de espinhos. Para obter material selecionado de outras áreas, deve se dirigir aos contatos comerciais ou pesquisadores mencionados em outras partes da PupunhaNet. As sementes podem ser semeadas em sementeiras utilizando-se diferentes meios de germinação, podendo ser uma mistura de solo e material orgânico, ou um substrato composto só de serragem, e em estas condições as sementes frescas levarão 30-120 dias para germinar. Mora Urpí (1984) descreve mais detalhadamente a germinação de sementes em bolsas de plásticos, cuja porcentagem é geralmente mais alta, porém requer mais prática e as plântulas requerem um período maior de adaptação após o transplante.

Quando as mudas encontram-se no estágio de uma fôlha aberta devem ser transplantadas para sacos plásticos de 2 kg ou recipientes similares. Recomenda-se 50-70% de sombra durante os primeiros meses no viveiro. Com um mistura [2:1 v:v] de solo (horizonte A) e abubo orgânico (esterco bem curtido), as mudas crescem rapidamente. As plântulas devem ser plantadas no campo ao atingirem 40-50 cm de altura, com 4-6 fôlhas, cerca de 6-8 meses após o transplante.

Para o sucesso do estabelecimento das plântulas no campo é importante preparar uma boa cova, com 25-40 cm em todas as dimensões. Esta cova deve receber 2-2,5 kg. de esterco animal (um pá cheio) ou outro material orgânico e 500 g de calcário dolomítico misturados ao solo um mês ou mais antes do plantio. As mudas devem ser plantadas cerca de 2-3 cm abaixo da superfície do solo, evitando-se enterrá-las completamente, de forma que as raízes adventícias possam se fixar e se desenvolver como novas raízes primárias.

O transplante deve ser feito no início da estação chuvosa. A pupunha é extrememente resistente e sobrevive bem a estação seca de Manaus. No entanto, a falta de aguá inibe o crescimento das plantas. O contrôle de ervas daninhas é importante, especialmente durante as duas primeiras estações chuvosas, pois permite as plantas jovens superarem seus competidores. Este contrôle deve ser feito sem revolver o solo, já que as raízes de pupunha se distribuem superficialmente (Ferreira et al., 1980), podendo ser danificadas facilmente.

As plantas novas, tanto para fruto como para palmito, devem receber adubação em cobertura já durante a primeira estação chuvosa, distribuída em duas parcelas no meio e no fim da estação chuvosa (Tabela 6). A adubação mineral pode ser substituída por esterco e o nitrogênio mineral por fôlhas de leguminosas, que oferece o benefício adicional de inibir ervas daninhas e manter a umidade do solo. Peréz (1987) recomenda o uso de Pouraria phasealoides e Desmodium ovatifolium como plantas de cobertura. A primeira é uma leguminosa trepadeira que precisa ser manejada constantemente, e a segunda é um planta arbustiva que deve ser cortada no início da estiagem para servir como adubo e para evitar competição por água. Nutrição deficiente deixa as plantas enfraquecidas e menos resistentes a pragas e doenças.

Após o primeiro ano no campo, a adubação para fruto será diferente da adubação para palmito (Tabela 6), pois as plantas serão maiores. Outra vez, adubos orgânicos e coberturas vivas e mortas poderão substituir alguns nutrientes minerais.

Quando as plantas destinadas a produzir frutos atingem a idade reprodutiva, geralmente entre 2 e 5 anos depois de plantadas (se adequadamente fertilizada e manejada), requerem maior quantidade de nutrientes para produzir bem. Este fato é devido a que os frutos são ricos em minerais e estes nutrientes são exportados durante a coleta. Novamente, o esterco pode fornecer a maioria do P e K e leguminosas de cobertura o N. Outros materiais orgânicos (incluindo o cacho vazio apodrecido) podem fornecer ainda mais destes e outros minerais. Se existem dúvidas sobre a quantidade de P no adubo orgânico, P mineral este deve ser usado, já que é o elemento limitante mais importante na Amazônia (Arkcoll, 1982). Deficiências de micro-nutrientes estão se tornando evidentes na Amazônia depois de diversos anos de fertilização com N P K Ca Mg. Em muitas áreas, o uso de esterco, outros materiais orgânicos e leguminosas de cobertura podem retardar o aparecimento de sintomas de deficiência de micro-nutrientes.

Tabela 6. Recomendações de adubação (g/planta) para pupunha crescendo em solos da Amazônia central, baseadas em pesquisas recentes do INPA e da Embrapa Amazônia Ocidental (K. Yuyama, W.B. Chávez Flores, 1998, com. pess.). N - ureia, P superfosfato triplo, K - cloreto de potássio, Ca - calcário dolomítico.

Ano:Finalidade Adubar durante a estação chuvosa
Início Meio Final
Ano 1 : ambas plantio 30 g N; 40 g P; 20 g K 30 g N; 20 g K
Ano 2 : palmito 40 g N; 40 g P; 20 g K 30 g N; 20 g K 30 g N; 20 g K
Ano 3 : palmito idem; 500 g Ca idem idem
Ano 2 : fruto 210 g N; 250 g P; 125 g K 210 g N; 125 g K 210 g N; 125 g K
Ano 3 : fruto 420 g N; 500 g P; 250 g K; 6 kg Ca 420 g N; 250 g K 420 g N; 250 g K
Ano 4 : fruto 420 g N; 500 g P; 250 g K 420 g N; 250 g K 420 g N; 250 g K

Monocultura

Os trabalhos de Mora Urpí (1984), Mora Urpí et al. (1984), Araújo (1991) e Ferreira (1991) apresentam instruções agronômicas adequadas e Mora Urpí et al. (1984) e Araújo (1991) apresentam custos para plantações de monocultura. Sugere-se consultar estas referências para maiores detalhes, pois este trabalho apresenta apenas um resumo. ara plantações de frutos em monocultura em solos pobres, é recomendado um espaçamento de 5 x 5, e de 6 x 6 m em solos mais ricos. A plantação de monocultura em pequena escala (0.5-2 ha) pode ser apropriada na Amazônia. A monocultura em larga escala não é recomendada devido ao provável ataque de pragas e doenças.

O manejo a longo prazo requer uma renovação ocasional das plantações, quando as plantas se tornam muito altas para a coleta econômica do fruto (Mora Urpí, 1984) - acima de 10-12 m. Estas plantas devem ser manejadas para terem um estipe principal para frutificação e um único perfilho para renovação. Os perfilhos crescem vigorosamente durante os primeiros anos e podem ser eliminados quando seu palmito for coletável. Um dos novos perfilhos deve então ser mantido para substituir o estipe principal quando este for muito alto. Após o corte do estipe principal, geralmente depois de 10-15 anos, o palmito da pupunha pode ser extraído e a madeira explorada. Este manejo fornece coletas periódicas de palmito e madeira para suprir a dieta e prover maior lucro para o agricultor, e é aplicável em sistemas de monocultura e agroflorestais. Depois de renovado, o novo estipe reprodutivo precisa de 2-3 anos para iniciar a frutificação.

Até recentemente, a pupunha tem sido relativamente livre de pragas e doenças, principalmente porque foi um componente de agroflorestas em baixa densidade. Mesmo em monoculturas de menor escala, novas pragas e doenças estão se espalhando em Colômbia, Costa Rica e Brasil. A pupunha está se espalhando pelo mundo afora e provavelmente estará livre de doenças em seu novo ambiente por uma ou duas décadas, quando então estará novamente vulnerável a estes ataques.

O fruto da pupunha é atacado por diversos tipos de doenças (Mora Urpí, 1984), geralmente depois de uma lesão causada por algum inseto. Em Costa Rica, a doença causada por Phytophtera tem sido identificada como um problema ocasional (E. Vargas, com. pess., 1986), podendo espalhar-se especialmente em plantações mal manejadas e fertilizadas. Em algumas áreas, o ácaro da fôlha ataca certos genótipos (Mora Urpí, 1984). Pragas das famílias Coleoptera e Diptera são brocas do fruto e da semente, porém não causam danos economicamente sérios ainda (Mora Urpí, 1984). No entanto, uma broca da semente (Coleoptera) recentemente encontrada em uma plantação em Rondônia eliminou quase que 100% da produção desta área. Em Manaus, a mal nutrição de plantas e uma estiagem prolongada enfraqueceram as plantas e favoreceram o ataque de diversas Coleoptera, Diptera e Hemiptera que eliminaram 85-90% da produção esperada em 1988.

Para a produção de palmito, a pupunha deve ser plantada em espaçamento de 2 x 1 m se não for usar máquinas para capinar ou 2,75 x 1 x 1 m se usar um trator com roçadeira (mercados processado e in natura) ou 3 x 2 m (mercado de churrascaria), com as dimensões da cova e quantidades de nutrientes aplicadas sendo as mesmas para a produção de fruto inicialmente. Consulte o INPA para recomendações mais atualizadas.

A primeira coleta deve ser feita quando o tronco apresenta um entrenó visível (mercados processado e in natura), geralmente após 18 meses de crescimento, ou quando o tronco possui 1,5 m de altura (mercado de churrascaria), geralmente após 24-30 meses. Mora Urpí (1984) afirma que o manejo dos perfilhos deve ser contínuo. Para garantir um alto número de perfilhos prontos para o corte cada ano (mercados processado e in natura) deve-se manter 3-4 perfilhos; para garantir o tamanho máximo de palmito (mercado de churrascaria) deve-se deixar somente um perfilho. Após a colheita do palmito deve-se deixar no campo todos os restos vegetais (folhas, tronco, bainhas) como adubo verde, pois isto ajudará a reciclagem de nutrientes e reduzirá a quantidade de minerais exportados.

A expansão da cultura de pupunha pode ser estimulada pelo consumo do palmito na região Amazônica, o qual é atualmente considerado um produto de luxo para consumo somente em ocasiões especiais. Pequenos monocultivos de pupunha para palmito em toda a região podem diversificar a dieta amazônida. Áreas maiores somente devem ser plantadas se houver infraestrutura adequada e/ou uma agroindústria; áreas longe dos centros de consumo requerem uma análise de custos muito mais detalhada do que áreas perto dos centros, pois o custo de transportar palmito processado (que é principalmente água e embalagem) é alto.

Agroflorestas

A pupunha é um componente da maioria das roças Ameríndias existentes na Amazônia ocidental, em algumas áreas ao norte da América do sul e no sul da América Central. Em agroflorestas tradicionais da Amazônia a densidade de pupunha provavelmente pode ser aumentada das atuais 3-20 plantas/ha para 20-50/ha sem muito custo ou risco de aumento de pragas e doenças, embora existe o risco de saturar os mercados locais se alternativas de processamento não são desenvolvidas concomitantamente.

Clement (1986b) discute o uso agroflorestal da pupunha em Costa Rica, como também os experimentos de pesquisa realizados com este fruto no Brasil até então. Atualmente, a Comissão Executiva para a Promoção de Cacau (CEPLAC) na Amazônia, recomenda a pupunha como sombra produtiva para o cacau (Theobroma cacao) (P.T. Alvim, com. pess., 1988). O uso da pupunha para sombreamento deve ser considerado nos trópicos úmidos como uma alternativa para substituir a sombra do côco em plantações de cacau e café. Nestas áreas, o cacau ou o café podem ser plantados em um látice uniforme ou em fileiras seguindo a direção do sol, dependendo dos requerimentos de luz do cultivo consorciado. Quando plantada em fileira, a pupunha pode servir também como parte de uma cerca viva para pastos ou outros cultivos de frutas; no entanto por não aguentar bem ao vento, não deve ser considerada como um quebra-vento.

Em sistemas multi-estratos a pupunha deve ser considerada como um componente temporário do estrato superior, já que não produz bem se sombreada por árvores mais altas e não regenerará bem na sombra das outras espécies após o corte do estipe mais alto. Tendo sido domesticada em um ambiente agroflorestal, a pupunha parece ser tolerante a competição de plantas de estatura mais baixa. Diversos experimentos demonstram que monoculturas de pupunha podem ser iniciadas com culturas de subsistência, tais como arroz, feijão, milho ou macaxeira. Alguns experimentos tem sido conduzido com espécies frutíferas semi-pereniais como o abacaxi (Ananas comusus), a mamão (Carica papaya) e o maracujá (Passiflora edulis).

Sistemas agro-silvi-pastorais tem sido sugerido para a pupunha, porém somente produzem bem se animais de grande porte não pertubam o sistema radicular. O gado, por exemplo, pisoteia e destrói as raízes superficiais, que são 60-70% da superfície absortiva da pupunha. Esses animais são também ávidos consumidores das fôlhas dos perfilhos e mesmo das raízes adventícias que se desenvolvem nos primeiros entrenós. Os porcos são também destrutivos do sistema radicular da pupunha e não devem ser soltos num plantio, exceto se houver uma abundância de frutos no chão. A pupunha, no entanto, deveria ser considerada como um componente de sistemas agro-silvi-pastorais onde os frutos, preferivelmente ensilados, são comidos pelos animais de outra parte do sítio e o adubo retornado para as plantas.

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