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Pesquisa faz levantamento da poluição atmosférica em Manaus

2008-04-09 - 12:54:56


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A frota de veículos emplacada circulando pela cidade de Manaus é de aproximadamente 374 mil carros, o que gera grandes engarrafamentos nos semáforos e cruzamentos. Contudo, de qual forma o processo de aceleração e desaceleração desses veículos têm contribuído para o aumento da poluição atmosférica na capital? A resposta para essa pergunta veio por meio de uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), na qual foi feito o levantamento dos níveis de concentração de dióxido de nitrogênio em 20 pontos da cidade, principalmente, em locais com grande fluxo de veículos, próximos de termelétricas e de empresas do Pólo Industrial de Manaus (PIM).

A pesquisa é o resultado do trabalho de mestrado de Najara Marinho de Assis, desenvolvido sob a coordenação do cientista da Coordenação de Pesquisas em Produtos Naturais (CPPN), Ézio Sargentini Júnior e Jussival de Abreu Pinheiro Novaes. O projeto foi feito com recursos da ordem de R$ 49 mil oriundos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Os pesquisadores fizeram o acompanhamento dos níveis do poluente durante 30 dias por um período de um ano. Ou seja, foram 12 amostragens. Durante a pesquisa de campo, foi constatado que as concentrações de dióxido de nitrogênio são maiores no período menos chuvoso (Agosto-Setembro) e nos horários de grande fluxo de veículos: (das 07 às 09 e das 17 as 20 horas), principalmente, nas áreas das rótulas do Coroado e Eldorado, entre as avenidas Getúlio Vargas e Sete de Setembro – Centro, e na rua Ferreira Araújo – Petrópolis, onde está situado o 3º DP. A média anual ficou entre: 22 µm m-³ (Eldorado); 22 µm m-³ (Coroado); 20 µm m-³ (Getúlio Vargas e Sete de Setembro); 20 µm m-³ (3º DP). “A solução para a questão é diminuir o tempo de aceleração e desaceleração nos locais”, disse Sargentini e acrescenta que a tendência é aumentar ainda mais.

Eles dizem que os levantamentos apontam para uma média anual de 23 µm m-³ de dióxido de nitrogênio na atmosfera da cidade. Apesar do valor ainda não ter alcançado o que estabelece o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) – 320 µm m³, a importância do trabalho deve-se por ser o primeiro estudo na área urbana da cidade de Manaus a fazer esse tipo de levantamento.

 

“Daqui alguns anos, quando um pesquisador decidir fazer o levantamento da poluição em Manaus, ele vai ter a nossa pesquisa como base para poder comparar com os dados futuros. Ou seja, a amplitude do aumento da poluição”, explicou Assis.

 

De acordo com Assis, os dados obtidos podem ajudar na identificação das áreas da cidade com o maior fluxo de veículos. Dessa forma, auxiliando na elaboração de políticas públicas voltadas para o setor. Ela diz, por exemplo, se é constatado um índice elevado de poluição atmosférica na região da Bola do Coroado, isso indica que o trânsito no local não está fluindo, o que exigiria uma ação dos poderes responsáveis. Além disso, os governos do Estado e Município podem utilizar as informações para identificar qual o melhor local para a fixação de uma estação permanente de monitoramento atmosférico. “Isso pode gerar a melhoria de vida para a população e diminui os gastos com saúde”, ressaltou Assis.

Eles também colocaram um amostrador na região da Marina Tauá e na Colônia Japonesa, locais com pouca influência humana, onde os índices foram baixos (5 µm m-³), quando comparados com os outros locais. Contudo, esse cenário permanecerá por pouco tempo, pois ambos estão sendo loteados. Na Colônia Japonesa, estão construindo residenciais e há o projeto para abertura da avenida das Torres. Provavelmente, segundo os pesquisadores, daqui a cinco ou dez anos, os números não serão mais os mesmos.

Além da poluição veicular, os pesquisadores alertaram para a questão das termelétricas instaladas dentro do perímetro urbano, as quais são responsáveis também pela emissão do dióxido de nitrogênio. “O ideal é que elas sejam instaladas distantes de áreas populosas. No entanto, como exemplos, existem duas, sendo uma na Cidade Nova e outra no Mauazinho. Por isso, é importante fazer o monitoramento das emissões. Além disso, os estudos devem ser feitos paralelamente com a Secretaria de Meio Ambiente (Semma) e o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (IPAAM), por exemplo”, alertou Sargentini.

 

Em relação às medições no PIM, os cientistas disseram que ainda existe muita área verde e que o modelo fabril pode ter contribuído para o baixo teor de dióxido de nitrogênio na atmosfera. Além disso, como as empresas ficam próximas do rio, a corrente de ar pode aumentar a disperção das partículas. Entretanto, os pesquisadores alertam que é preciso aumentar o monitoramento com o acompanhamento dos níveis de todas as partículas, por exemplo, o material particulado (poeira preta), dióxido de enxofre, CO2 e ozônio.

Danos à saúde – Segundo Assis, o dióxido de nitrogênio, por meio de uma reação química dentro do aparelho respiratório, pode-se transformar em uma substância chamada nitrozamina. Essa substância é altamente nociva à saúde, sendo cancerígena em altas concentrações. “Quando as pessoas são expostas diariamente a essa substância, a tendência é desenvolver algum tipo de doença respiratória, principalmente, asmas e bronquites podendo ter o quadro agravado. As crianças e os idosos são mais susceptíveis”.

Eles citaram como exemplo o caso dos funcionários e ambulantes que trabalham dentro do Terminal de Integração da Constantino Nery – Terminal 1. No local, os valores verificados foram elevados – 40 µm m-³, quando comparados com outras áreas pesquisadas. “Os dados demonstram a influencia dos terminais de integração na emissão do dióxido de nitrogênio, pois são locais com grande fluxo de veículos, com semáforos e veículos pesados em aceleração e desaceleração. Em relação à questão ambiental e a saúde da população, o fim dos terminais de integração seria uma boa idéia”, alertaram.

Seca eleva níveis de poluição – Um dado interessante constatado durante a pesquisa é que os níveis de dióxido de nitrogênio foram maiores durante o período com menos chuvas, que vai de agosto a dezembro. Segundos os pesquisadores, é justamente nesse período que aumenta incidência de problemas respiratórios nos ambulatórios das grandes cidades. Eles explicaram que ocorre o contrário quando começa o período chuvoso, pois a chuva dispersa os poluentes da atmosfera.

Assessoria de Comunicação do INPA