O novo método ajuda a explicar, de forma bem simples, a estrutura
deste tipo de esquema de pesquisa, facilita sua construção e permite comparar delineamentos
alternativos. “Tudo isto faz com que apresente grande valor didático”, diz
Johannes van Leeuwen
Da Redação - Ascom Inpa
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Acervo pesquisador
O
pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI),
Johannes van Leeuwen, juntamente com o pesquisador português do Agro
Biotechnology Institute, da Malásia, Victor Neto, propõem um método que
permite entender o delineamento em blocos incompletos. O novo método ajuda a
explicar, de forma bem simples, a estrutura deste tipo de esquema de pesquisa.
Para
o pesquisador van Leeuwen, o método proposto também ajuda a entender diversas
características destes delineamentos, além disso, facilita a sua construção e permite comparar delineamentos alternativos.
“Tudo isto faz com que tenha grande valor didático. Este método, nunca proposto
antes, não se encontra em livros que tratam da introdução à estatística
experimental”, afirma o pesquisador,
que é coordenador do Núcleo Agroflorestal do Inpa e que elaborou um método de
Diagnóstico e Delineamento Agroflorestal que focaliza o estabelecimento
agrícola individual.
Johannes van Leeuwen e Victor Neto publicaram, recentemente, na
Revista Brasileira de Biometria um artigo com o título “A
tool for teaching, building and comparing incomplete block designs” (em português, “Uma
ferramenta para ensinar, construir e comparar delineamentos em blocos
incompletos”), o que, segundo
eles, pretende mudar a forma de ensinar os delineamentos em blocos incompletos.
Na opinião de van Leeuwen,
a estrutura dos delineamentos em blocos incompletos é de difícil entendimento.
“Esta é uma das razões porque esses delineamentos são menos usados do que
deveriam, o que leva a um uso ineficiente dos recursos para a pesquisa”,
ressalta.
Para explicar melhor, primeiramente, ele apresenta um exemplo de um delineamento em “blocos completos”. “Imagine um experimento para comparar seis tipos
de ração para cachorrinhos, no qual cada cachorrinho de uma mesma ninhada (de
seis cachorrinhos) vai receber uma ração diferente. No jargão científico, as
seis rações são os “tratamentos”, a ninhada o “bloco completo” e os
cachorrinhos seriam as “unidades experimentais”, explica o pesquisador do Inpa.
Ele observa, ainda, que o uso de blocos homogêneos é fundamental
para se obter um baixo erro experimental. “Para isso, as unidades experimentais
do mesmo bloco devem ser tão parecidas quanto possível. Escolhendo ninhadas e
cachorrinhos, cuidadosamente, os cachorrinhos de um bloco (ninhada) vão ser
muito semelhantes”, comenta o pesquisador.
Para explicar o que é um bloco incompleto, van Leeuwen dá como
exemplo a comparação de 15 tipos de ração. Neste caso,
afirma ele, as ninhadas não podem servir como blocos completos, uma vez que não
ocorrem ninhadas de 15 cachorrinhos. “Usando neste caso ninhadas de seis
cachorrinhos (cada animal recebendo uma ração diferente), estas tornam-se
“blocos incompletos”, diz o pesquisador, ressaltando que são “incompletos”,
porque um bloco (ninhada) de seis cachorrinhos não contém todos os 15
tratamentos.
De acordo com o pesquisador, para blocos completos a distribuição
dos tratamentos é claríssima. No caso dos blocos incompletos, essa distribuição
não se entende facilmente. “Assim há uma tendência de evitar o uso desses
delineamentos”, ressalta.
Para resolver esta questão, os pesquisadores propuseram a
construção de um quadro onde é visualizada, para todos os pares de tratamentos,
quantas vezes dois tratamentos de um par ocorrem juntos no mesmo bloco.
Johannes van Leeuwen é mestre em Ciências Agrárias pela Universidade Agrária de Wageningen (Holanda), onde combinou Silvicultura, Melhoramento Vegetal, Estatística Matemática e Sociologia Rural. Trabalha com pesquisa participativa, sistemas agroflorestais, melhoramento genético de espécies arbóreas e estatística experimental. Victor Neto é doutor em Ciências Vegetais e Estatística Aplicada pela Universidade de Reading (Reino Unido) e tem grande experiência como consultor e professor em estatística.
ContextoOs delineamentos em blocos, hoje em dia, usados em pesquisas, nos
mais diversos ramos da ciência, foram desenvolvidos nas décadas de trinta e
quarenta do século passado. Na época, a análise dos dados experimentais
fazia-se à mão com o auxílio de calculadoras mecânicas. Os delineamentos em
blocos incompletos precisam de cálculos mais complexos do que os em blocos
completos, outra razão para evitar seu uso.
Os pesquisadores van
Leeuwen e Victor Neto chamam a atenção pelo fato de que, nas últimas
décadas, as possibilidades de processamento de dados
experimentais aumentaram drasticamente. “Com um programa adequado de computação e
alguém capaz de usá-lo, os dados de qualquer delineamento podem ser
analisados”, consideram.
Para os pesquisadores, até tornou-se
possível analisar delineamentos nunca cogitados antes, como os de blocos de
tamanho diferente (ninhadas variando na quantidade de animais) e/ou tratamentos
repetidos com diferente número de vezes. “Este tipo de delineamento pode
tornar-se importante no caso de haver pouco material disponível para pesquisa,
por exemplo, na investigação de espécies ou variedades ameaçadas de extinção”,
finalizam.
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