A
parceria inclui projetos de capacitação de estudantes e pesquisadores dos dois
países e projetos de inovação com o setor privado
Por
Luciete Pedrosa - Ascom Inpa
Foto:
Camila Leonel
“A bioeconomia é importante para o
Amazonas, para a Amazônia e para o Brasil. A ideia é identificar oportunidades
para juntar esforços dos dois países com o objetivo de fortalecer a Ciência e
atrair o desenvolvimento e a conservação da biodiversidade e com mais
conhecimento sobre ela”, declarou o botânico William Millikem, coordenador dos Reais
Jardins Botânicos de Kew ou Kew Gardens e um dos organizadores do Workshop
Brasil-Reino Unido de Biodiveridade e Bioeconomia.
O evento, que iniciou nesta
terça-feira (03) e prossegue até sexta-feira (6), no Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), é uma reunião entre representantes de várias
instituições brasileiras e britânicas para discutir a colaboração na área de
diversidade e bioeconomia no Brasil.
De acordo com Millikem, o workshop é também
uma colaboração científica de pesquisa, que inclui, dentre outras ações, projetos
de capacitação de estudantes e pesquisadores dos dois países, e também projetos
de inovação com o setor privado. O encontro servirá ainda para identificar
prioridades, assim como começar a formular propostas de projetos de colaboração
entre os dois países na área de diversidade e bioeconomia.
Na opinião de Millikem, para o uso
sustentável dos recursos que a floresta oferece é preciso haver um equilíbrio
entre utilização e conservação desses recursos, hoje um dos maiores desafios da
região. Ele diz que há muitas plantas ainda por ser exploradas em termos
alimentícios e usos medicinais.
Segundo ele, o apoio que a floresta
oferece ao meio ambiente, definido pelo botânico como “serviços de ecossistema”,
depende da biodiversidade. “A saúde humana depende da biodiversidade aqui na
Amazônia, portanto não é só identificar produtos que podem ser comercializados ou
utilizados, mas, também, entender melhor como manter o meio ambiente para a
saúde e o bem estar da população”, afirmou.
De acordo com um dos organizadores do
workshop, o pesquisador do Inpa, Niwton Leal Filho, a parceria entre Brasil e
Reino Unido vem fortalecer o acordo entre os dois países que sempre mantiveram
uma forte relação científica. Terá o apoio financeiro britânico do Fundo
Newton, lançado em 2013, que é um fundo de amparo à pesquisa no valor de 9
milhões de libras esterlinas, e o Brasil, em contrapartida, por meio das
diversas Fundações de Amparo à Pesquisas (Faps), que entrará com a participação
de outros 9 milhões de libras esterlinas, durante os próximos 3 anos.
Leal Filho explica que essa parceria
tem por objetivo apoiar pesquisas entre institutos brasileiros e ingleses em
áreas prioritárias, como doenças negligenciadas, aquelas doenças que não só prevalecem em condições de pobreza
como também contribuem para a manutenção do quadro de desigualdade por
representar importante entrave ao desenvolvimento dos países, a exemplo da
dengue, malária, doença de chagas, leishmaniose e tuberculose.
“Essas doenças as empresas farmacêuticas não tem interesse em desenvolver
remédios porque atingem populações muito pobres”, explica.
Ainda de acordo com Leal Filho, o
Fundo Newton está sendo usado, especificamente, para este projeto, nos próximos
três anos, e foi desenhado pelo Reino Unido para auxiliar os países emergentes.
Dentre os países, o Brasil foi escolhido como destaque por ser um país que
possui uma tradição de colaboração na área científica com o Reio Unido.
Inventários
Para o botânico e ecologista
britânico, o professor Sir Ghilleam Prance, existem alguns pontos que ele considera
fundamental para o futuro da região amazônica. Segundo ele, o inventário da
região amazônica ainda não está completo. O professor afirma que existem novas
espécies a serem descobertas, e é preciso haver mais trabalho com fungos (micologia)
e insetos.
“Há áreas que são pouco conhecidas e têm
áreas que não tem nenhuma amostra no herbário do Inpa. Vamos para uma dessas
áreas para fazer um inventário para ver se são iguais em diversidade na região
de Manaus”, desafia Prance.
Para o botânico, outro ponto importante
é estudar as plantas econômicas e não somente coletar e estudar a taxonomia
(ciência que classifica os seres vivos). “É preciso estudar mais a genética para
conhecer novas plantas, porque é preciso entender o efeito da coleção de uso e
tendo mais informação genética isso vai ajudar”, reforça.
Outro ponto destacado por Prance é que
não existem taxonomistas suficientes na região. “Espero que tenha mais
brasileiros fazendo inventários por aqui e não somente estrangeiros vindos de
longe”, ressaltou o botânico.
Patrono
O professor Ghilleam Prance atuou
durante 50 anos no Inpa e foi o idealizador do curso de pós-graduação de
Botânica do Instituto e fundador da Ciência Botânica na Amazônia, ministrará, às
17h, desta quarta-feira (4), um open lecture (palestra) como tema “Cinquenta
Anos de Colaboração com o Brasil”. O professor Prance falará sobre sua
experiência pioneira e legado em terras brasileiras ao longo dos últimos 50
anos. Atualmente, Sir Prance é diretor científico do Éden Project, no Reino
Unido.
Após a palestra, o governo britânico,
em parceria com o Inpa e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas
(Fapeam), homenageará o professor Prance, considerado o patrono das relações
científicas entre o Brasil e o Reio Unido, e José Ramos, seu primeiro guia (mateiro)
na região. Os dois receberão uma Menção Honrosa da Fapeam, como reconhecimento
dos esforços investidos no desenvolvimento científico da região amazônica.
Segundo os organizadores, a homenagem
tem como objetivo inspirar estudantes e pesquisadores interessados na preservação
e uso sustentável da biodiversidade.
Great
Britain House
Como parte da programação do maior
evento mundial de futebol, o governo britânico criou a Great Britain House, uma
exibição de itens britânicos e uma série de eventos (seminários, debates,
networking e exposições) que apresentam o melhor do Reino Unido e que acontecem
nas cidades-sedes em que receberão a seleção de Inglaterra: Manaus, Belo
Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. Acesse www.greatbritainhouse.ukti.gov.uk
para mais informações.
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