O simpósio faz
parte do projeto “Estruturação e Evolução da Biota Amazônica e seu Ambiente” cujo
objetivo é entender a origem, manutenção e diversificação do conjunto de seres
vivos na região amazônica
Por Luciete Pedrosa
– Ascom Inpa
Foto: Gabriel Andrade
Como parte da programação anual
do projeto “Estruturação e Evolução da Biota Amazônica e seu Ambiente: Uma
Abordagem Integrativa”, pesquisadores brasileiros e estrangeiros estão reunidos em simpósio que leva o mesmo nome do projeto, no Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). Durante o simpósio, membros do projeto e
pesquisadores do Inpa apresentaram os avanços mais recentes em estudos sobre a
Biota Amazônica, visando fomentar a colaboração e aumentar a integração entre
pesquisadores trabalhando em temas correlatos.
Entre os trabalhos apresentados,
estão pesquisas sobre a história geológica e ambiental da Amazônia, bem como estudos
focando na Biota, incluindo trabalhos com aves, primatas, plantas e borboletas.
De acordo com os coordenadores do
projeto, a pesquisadora Lúcia Lohmann, da Universidade de São Paulo (USP), que
coordena a equipe brasileira, e o pesquisador Joel Cracraft, do American Museum
of Natural History (AMNH), que coordena a equipe internacional, o projeto tem
como objetivo entender a origem, manutenção e diversificação de toda a biota na
região amazônica.
O projeto conta com uma equipe diversificada
e com a participação de pesquisadores do Inpa, da Universidade Federal do Pará
(UFPA), do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), Universidade do São Paulo (USP)
e Universidade de Campinas (Unicamp), além de várias instituições estrangeiras
dos Estados Unidos, Argentina, Canadá e Inglaterra.
“Este projeto tem uma abordagem
integrada, que depende de pesquisadores com formações muito diversas, baseados
em diferentes regiões do planeta. No entanto, gostaríamos que o projeto envolva
colaborações reais, especialmente, com pesquisadores da região amazônica para
que possamos juntos desvendar os mistérios associados à grande diversificação
da biota neste região”, diz Lucia.
Segundo a pesquisadora, a
primeira reunião anual do projeto foi em São Paulo, no ano passado, mas resolveram
fazer o encontro deste ano em Manaus para que possam aprender mais sobre as
linhas de pesquisa que estão sendo desenvolvidas no Inpa e em outras
instituições da região para que possam aumentar ainda mais o número de
subprojetos a serem desenvolvidos em colaboração. “Este simpósio está sendo
muito importante para que possamos discutir ideias, encontrar perguntas
científicas de interesse mútuo e assim, estreitar relações com os pesquisadores
da região”, disse Lohmann.
Lúcia Lohmann ressalta que os
pesquisadores continuarão reunidos, no Inpa, até a próxima sexta-feira (16),
para discussões detalhadas sobre as diferentes etapas do projeto. Estas
discussões focarão no estabelecimento de prioridades e estratégias para a
elaboração de publicações científicas, entre outros produtos, a serem
desenvolvidos ao longo deste projeto, em colaboração com os pesquisadores internacionais,
do Inpa e de diferentes partes do Brasil.
“Ficaremos aqui por mais quatro
dias em reuniões, discutindo os próximos passos e estratégias concretas para os
próximos anos de duração do projeto. Queremos estabelecer um cronograma de
atividades que maximize esforços para que possamos, durante a curta duração do
projeto, avançar de forma significativa em termos do nosso conhecimento sobre a
origem e diversificação da biota amazônica e seu ambiente”, declarou a
pesquisadora.
Para Lohmann, é notória a
importância da floresta amazônica em vários aspectos, tanto em relação ao estudo
da biodiversidade, quanto ao funcionamento do ecossistema e seu impacto para
mudanças globais. “Julgamos muito importante conhecer a biota amazônica para
que possamos conservar e manejar a floresta da forma mais adequada possível.
Esperamos que as informações provenientes deste projeto contribuam de forma bastante
significativa para o estabelecimento de áreas prioritárias para conservação e,
ao mesmo tempo, esperamos que os resultados do projeto também nos ajudem a chamar
a atenção da grande importância deste bioma”, disse.
Sobre o Projeto
Segundo a pesquisadora e doutora em Biologia Genética Camila Ribas, participante
do projeto Estruturação e Evolução da Biota Amazônica e seu Ambiente, no Inpa, juntamente
com o pesquisador William Magnusson (ambos da Coordenação de Biodiversidade do
Inpa), o projeto teve início em 2013 e terá duração de cinco anos. É co-financiado
pela National Science Foundation (NSF), pela Administração Nacional da
Aeronáutica e do Espaço (Nasa),nos Estados Unidos, e pela Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
A reunião com pesquisadores
brasileiros e estrangeiros, que acontece desde o último domingo (11), recebeu o
apoio do Inpa, da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo Camila, o projeto
tem como foco a Amazônia como um todo e estuda a história e evolução da
formação da floresta e da diversificação das espécies que ocorrem na floresta,
hoje. Pesquisadores realizam estudos em diferentes partes da Bacia Amazônica,
focando em quatro grupos centrais de organismos: aves, primatas, alguns grupos
de plantas e borboletas.
“Um dos grupos que
queremos entender a origem e a diversificação são as aves. Eu trabalho com aves,
aqui no Inpa, enquanto o pesquisador Alexandre Aleixo, do Museu Emilio Goeldi,
trabalha com aves na região de Belém. Além disso, colaboramos ainda com outros
pesquisadores dos Estados Unidos para entender melhor a origem e a
diversificação de aves que ocupam a Amazônia, hoje”, contou Camila Ribas.
Segundo Ribas, o
principal resultado com os estudos realizados com aves obtido até o momento é a
observação de que ainda se precisa trabalhar muito para entender os padrões de
diversificação na Amazônia. “Pois ainda conhecemos muito pouco sobre a
diversidade local. Apesar disso, já foi possível detectar que as espécies que
ocorrem em terra firme, várzea, ilha e rios, entre outros ambientes, têm
histórias bastante diferentes”, disse.
“Quando começamos a
estudar as aves com maior detalhe observamos que o número de espécies real é
muito maior do que o número de espécies já descritas até hoje. São 1.300
espécies descritas, mas achamos que esta estimativa vai aumentar muito com os estudos que estão sendo feitos com as aves”, revela
Camila Ribas.
Veja também:
Inpa utiliza
drone para obter dados para inventários florestais na Amazônia
Assessoria de
comunicação e jornalistas do Inpa ganham Prêmio Fapeam de Jornalismo Científico
Condutas de
servidores públicos no período eleitoral