Este foi um dos resultados apresentados no
seminário de encerramento do Projeto Cadaf, que estuda a Dinâmica de Carbono da
Floresta Amazônica por pesquisadores do Brasil e do Japão.
Por Luciete Pedrosa – Ascom do Inpa
O estoque de carbono florestal no estado do Amazonas está em torno de 167,7 toneladas por hectare. Este foi um dos resultados apresentados no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) durante o seminário de encerramento do Projeto Cadaf, que estuda a Dinâmica de Carbono da Floresta Amazônica por pesquisadores do Brasil e do Japão. O evento que iniciou na noite de domingo (27) termina às 12h desta terça-feira (29). Veja aqui a programação.
Segundo o pesquisador
do Inpa e um dos responsáveis pelo seminário, Adriano Nogueira, vários
pesquisadores envolvidos no projeto apresentaram o resultado de suas pesquisas,
inclusive com a divulgação da quantidade do estoque de carbono no Amazonas pelo
pesquisador Francisco Higuchi, do Laboratório de Manejo Florestal do Inpa, com
base na média estimada dos inventários florestais do Amazonas de 167,7 toneladas
por hectare com um intervalo de erro de 6,5 toneladas de carbono, o que equivale
a um Intervalo de Confiança de 95%.
“A ideia agora
é reunir todas as informações de metodologia, de estoque e dinâmica de carbono
para ajudar elaboração da implantação do REDD+. No momento, estamos
criando a base de conhecimento na questão de metodologia de inventário
florestal contínuo e monitoramento florestal tentando conciliar com o
sensoriamento remoto. Tudo isso para ajudar quem tiver interesse, no caso o
governo estadual, na elaboração de implantação do projeto REDD+”, explica.
Pesquisadores e
organizações ligadas às questões de mudança climática global se reúnem com o
objetivo de reunir subsídios para ajudar na elaboração do projeto REDD+ (sigla
para Redução de Emissões provenientes de Desmatamento e Degradação Florestal)
na Amazônia.
Adriano explica ainda o que o Inpa com este projeto está criando um método confiável do tipo MVR, ou seja, Mensuráveis, Reportáveis e Verificável, para que instituições interessadas possam utilizar para elaborar seus projetos REDD+.
De acordo com o
coordenador geral do Projeto Cadaf, o pesquisador Niro Higuchi, o Cadaf é um projeto
de cooperação técnica internacional que teve início em 2010 em parceria com o
Inpa, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Instituto de
Pesquisas de Florestas e Produtos Florestais do Japão (FFPRI) e a Universidade
de Tókio. O projeto teve o financiamento da Agência de Cooperação Internacional
do Japão (Jica).
Thelma Krug,
pesquisadora do Inpe, apresentou um mapa de carbono que o Brasil utiliza para fins de inventário nacional de gases de
efeito estufa, que é submetido junto à Convenção das Nações Unidas sobre
mudança de clima – requisito que todos os países têm que submeter de tempos em
tempos. De acordo com Thelma, o Brasil submeteu seu segundo inventário em 2010
e, desde o primeiro inventário, foi utilizado este mapa gerado com dados com
uma equação alométrica que foi desenvolvida no Inpa pelo pesquisador Niro
Higuchu, em 1998, juntamente com dados do Radam Brasil, o que gerou um mapa de
carbono do Brasil.
“O trabalho
desenvolvido pelo Inpa é fantástico e não há nenhuma outra instituição no
Brasil que tenha um investimento tão grande em conhecer a biomassa de suas
florestas. É enriquecedor o conteúdo dessas informações”, diz Thelma.
O seminário encerra
nesta terça-feira com a participação do superintendente da Fundação Amazonas Sustentável
(FAS), Virgílio Viana, que falará sobre a experiência do projeto de carbono
florestal na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Juma; da analista
ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e responsável pelo REDD+,
Letícia Guimarães; da pesquisadora Thelma Krug, representando o Painel
Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC); e do cacique Almir Suruí que
falará da experiência do projeto de carbono na Reserva Indígena Sete de
Setembro, localizada na fronteira entre Rondônia e Mato Grosso. O cacique
ganhou recentemente da Organização das Nações Unidas (ONU) o prêmio de herói da
floresta pelo seu trabalho de manter a floresta em pé.
Foto da chamada: Henrique Lima
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