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SISTEMAS DE CULTIVO PARA PRODUÇÃO DE PALMITO DA PUPUNHEIRA

KAORU YUYAMA (1)

Yuyama, K. 1997. Sistemas de cultivo para produção de palmito da pupunheira. Horticultura Brasileira, 15(Suplemento):191-198.

Introdução:

A pupunheira (Bactris gasipaes Kunth, Palmae) foi domesticada pelos índios da Amazônia, sendo utilizada principalmente na alimentação como fonte de energia (amido e lipídio), nutrientes (proteína e vitaminas A com alta biodisponibilidade, Yuyama et al.,1991), e matéria prima para a agroindústria (Clement & Mora Urpi,1987). Em alguns lugares da Amazônia e do noroeste de América do Sul a pupunheira foi um cultivo principal, dada a sua produtividade e a preferêcia pelos povos nativos. Após a chegada dos europeus, a pupunheira foi esquecida e somente na década de 1970 voltou a atrair a atenção dos pesquisadores e, subsequentemente, dos agricultores e das agroindústrias de América Latina. Hoje a pupunheira é uma importante agroindústria na Costa Rica para a extração de palmito e sua importância vem crescendo rapidamente no Brasil, Colômbia, Equador e Perú.

O Brasil é o maior produtor mundial de palmito, com aproximadamente 200.000 t extraídas em 1989 (IBGE, 1990), e também o maior exportador, com 10.000 t exportadas em 1990 a um valor de US$40 milhões. No Brasil, diversas palmeiras produzem palmito comestível, porém apenas as do gênero Euterpe foram exploradas comercialmente em larga escala até recentemente. A grande maioria desta produção é obtida da exploração extrativista de florestas naturais, tanto na reduzida Floresta Atlântica, como na floresta do estuário do Rio Amazonas. Essa exploração tem sido indiscriminada e destrutiva, empobrecendo as florestas e os povos que nelas habitam. Dada esta destruição indiscriminada, o governo, por meio do Ministério do Meio Ambiente, tem regulamentado a exploração extrativista, tornando mais interessante a plantação técnica. Uma vez que as espécies de Euterpe são de crescimento lento e necessitam de sombreamento, os produtores começaram a seguir o modelo de Costa Rica onde a pupunheira é plantada em larga escala. Nos últimos cinco anos, os agricultores brasileiros vem plantando em rítmo acelerado, apesar de dispor de poucas técnicas de cultivo comprovadas. A médio prazo (5-10 anos), a produção de palmito será principalmente de cultivos técnicos de pupunheira substituindo a exploração extrativista das espécies de Euterpe. Infelizmente, a maioria desta nova plantação tem sido realizada em outras regiões do Brasil. Na região Amazônica, calcula-se que existem hoje, ao redor de 2000 ha em exploração, enquanto que em outras regiões do Brasil foram enviadas ao redor de 10 t de sementes ao ano (informação em Tabatinga, AM). Quanto a quantidade plantada no Sul ou Sudeste, a Dra. Bovi deve mencionar em sua palestra. Desta maneira, pode-se dizer que os Amazônidas não tem sido beneficiado quanto ao uso de sua planta nativa.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) trabalha com a pupunheira desde 1975 (ano de criação do Departamento de Ciências Agronômicas). Atualmente, o INPA possui um banco de germoplasma com mais de 450 acessos, duas coleções de trabalho com mais de 300 acessos de germoplasma inerme (sem espinhos no pecíolo (>95%), proveniente de Yurimáguas, Peru, Yuyama & Chávez, 1996) para o programa de melhoramento para a produção de palmito e conta com uma equipe multidisciplinar e inter-institucional (CPAA/EMBRAPA, CENARGEN/EMBRAPA e Universidade do Amazonas - UA) e o apoio de cooperativas, associações de produtores e empresários privados, para desenvolver as técnicas de cultivo para a região Amazônica.

Os agricultores necessitam de um "pacote tecnológico" que deve incluir técnicas de manejo de plantas e de agroecossistemas para tornar este cultivo sustentável a longo prazo, e contribuir para evitar a degradação do meio ambiente. Ressalta-se ainda a inclusão de estudos ecológicos (modificação do solo e sua biologia), agronômicos (manejo de sementes, produção de mudas, densidade de plantio, manejo de plantas, fertilização do solo, consorciação com cultivos anuais), e técnicas pós-colheita.

Este pacote tecnológico está sendo repassado aos agricultores diretamente ou por meio do órgão estadual de assistência técnica e extensão rural, promovendo demonstrações diretamente no campo, nas comunidades, cooperativas e agroindústrias. A metodologia utilizada nesta pesquisa proporciona a interação de pesquisadores com os pequenos e médios produtores rurais e suas famílias e empresários, o que implica numa intensa troca de informações entre ambos permitindo uma significativa participação dos produtores rurais nos ajustes necessários à ações de pesquisa. Dessa forma, os conhecimentos e os produtos já produzidos ou os que vierem a ser gerados pelas ações de pesquisa poderão ser utilizados imediatamente pelos produtores rurais.

Neste sentido, o INPA juntamente com as cooperativas, associação de produtores e empresas privadas tem instalado alguns ensaios de adubação, consorciação, espaçamento para produção de palmito. Quanto à disseminação ou divulgação dos resultados, o meio mais eficiente e rápido é a comprovação visual de plantio e sucesso de cultivo dos "vizinhos".

Resultados alcançados:

A) Consorciação de pupunheira com culturas anuais

Silva & Yuyama (1997) avaliaram o desenvolvimento da pupunheira para produção de palmito em sistema de monocultivo (com e sem capina) e de consórcio com as seguintes espécies de ciclo curto: amendoim, arroz, sorgo e macaxeira. Estes autores ainda verificaram a produção de culturas anuais (Tabela 1), que mostrou a macaxeira como a mais produtiva, diferenciando-se das demais, apesar de ser a única espécie que produziu menos do que a média nacional, conforme IBGE (1993). Mas quando analisado o seu valor econômico (R$), amendoim, arroz e macaxeira não diferiram estatisticamente entre sí, porém superaram ao sorgo. Considerando que os custos de implantação tenham sido iguais em todos os tratamentos, a melhor renda foi obtida no cultivo do amendoim, embora não tenha diferido estatisticamente do cultivo do arroz e macaxeira. Este resultado pode ser flutuante, pois varia de acordo com os valores do mercado.

Tabela 1. Dados médio de produção, em t/ha, e seu valor econômico de quatro espécies, em R$/ha, utilizadas em consorciação com pupunheiras (Silva, 1997)

Espécies Produção (t/ha) Valor econômico (R$/ha)
Amendoim 2,09 b 671,40 a
Arroz 2,48 b 522,50 a
Sorgo 2,06 b 227,50 b
Macaxeira 7,23 a 578,40 a
F 22,4 ** 9,2 **
C.V. (%) 30,60 25,30

Médias seguidas de mesma letra na vertical, não diferem estatisticamente entre si, pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade.

** Significativo ao nível de 1% de probabilidade.

O sistema de consórcio de pupunheira com gramíneas (arroz e sorgo) demonstrou um amarelecimento das folhas e aparentemente menos desenvolvimento da pupunheira, principalmente com sorgo, estando de acordo com MORA URPI et al. (1982), o qual cita que a pupunheira não tolera a presença de gramíneas, pois seu sistema radicular é superficial e é muito afetado pela competição, particularmente por nitrogênio disponível. Ferreira et al. (1980) relataram que a grande maioria do sistema radicular da pupunheira fica na camada de 20 cm superficial. Os dados médios de diâmetro do caule, altura da planta e número de folhas verdes são apresentados nas Tabela 2, 3 e 4.

Tabela 2. Comparação dos dados médios do diâmetro do caule das pupunheiras, em cm, em monocultivo e consorciadas com cultivos anuais, coletados de fevereiro a outubro de 1996, em intervalos de dois meses (Silva, 1997).

Tratamentos 1ª Coleta 2ª Coleta 3ª Coleta 4ª Coleta 5ª Coleta
Pupunha sem capina 2,21 3,25 4,15 ab 4,16 ab 4,7 ab
Pupunha com capina 1,90 2,69 3,38 b 3,53 b 3,9 b
Pupunha com amendoim 2,41 3,56 5,00 a 5,24 a 6,0 a
Pupunha com arroz 2,06 2,77 3,30 b 3,18 b 3,7 b
Pupunha com sorgo 1,93 2,30 2,82 b 2,74 b 3,9 b
Pupunha com macaxeira 2,03 2,89 3,20 b 3,38 b 4,1 b
DMS ns ns 1,58 1,47 1,90

As mesmas letras na vertical não diferem entre si, ao nível de 5% de probabilidade, pelo Teste de Tukey.

Tabela 3. Comparação dos dados médios da altura das plantas das pupunheiras, em cm, em monocultivo e consorciadas com cultivos anuais, coletados de fevereiro a outubro de 1996, em intervalos de dois meses (Silva, 1997).

Tratamentos 1ª Coleta 2ª Coleta 3ª Coleta 4ª Coleta 5ª Coleta
Pupunha sem capina 19,04 31,15 38,30 44,2 ab 55,1 ab
Pupunha com capina 17,72 25,78 32,15 35,9 ab 47,4 abc
Pupunha com amendoim 19,16 31,18 41,48 50,2 a 65,5 a
Pupunha com arroz 18,49 27,15 31,00 33,8 b 38,5 bc
Pupunha com sorgo 17,20 24,93 28,28 29,9 b 34,4 c
Pupunha com macaxeira 17,68 28,40 35,85 39,0 ab 45,5 abc
DMS ns ns ns 15,43 20,15

As mesmas letras na vertical não diferem entre si, ao nível de 5% de probabilidade, pelo Teste de Tukey.

Tabela 4. Comparação dos dados médios número de folhas verdes das pupunheiras, em monocultivo e consorciadas com cultivos anuais, coletados de fevereiro a outubro de 1996, em intervalos de dois meses (Silva, 1997).

Tratamento 1ª Coleta 2ª Coleta 3ª Coleta 4ª Coleta 5ª Coleta
Pupunha sem capina 5,10 5,90 6,22 4,8 ab 4,9
Pupunha com capina 4,45 5,68 6,48 4,5 ab 5,2
Pupunha com amendoim 5,22 6,08 7,00 5,1 a 5,1
Pupunha com arroz 4,65 5,45 6,00 4,3 ab 4,7
Pupunha com sorgo 4,15 4,60 5,93 4,0 b 4,6
Pupunha com macaxeira 4,50 5,28 5,82 4,8 ab 5,4
DMS ns ns ns 0,91 ns

As mesmas letras na vertical não diferem entre si, ao nível de 5% de probabilidade, pelo Teste de Tukey.

A taxa de crescimento relativo (TCR) do diâmetro do caule, altura da planta e número de folhas verdes apresentaram um decréscimo ao longo do período, porém foram mais acentuados na (4ª-3ª) coleta em todos os tratamentos (Tabelas 5, 6 e 7). Isto provavelmente foi devido a diminuição da precipitação pluviométrica, que provocou um estresse fisiológico, reduzindo assim o seu metabolismo. A reduzida TCR foi devido ao número de folhas verdes, que diminuiu acentuadamente, reduzindo as atividades fotossintéticas, e consequentemente diminuiu a taxa de crescimento. Com a chegada das chuvas no mês de setembro e outubro as folhas voltaram a crescer (Silva, 1997). A TCR normalmente decresce com a idade da planta, durante o período de crescimento vegetativo (Yuyama, 1991).

Tabela 5. Taxa de crescimento relativo do diâmetro do caule das pupunheiras (Silva, 1997).

Tratamentos Taxa de crescimento relativo
2ªCol.-1ªCol. 3ªCol.-2ªCol. 4ªCol.-3ªCol. 5ªCol.-4ªCol.
Pupunha sem capina 0,38 0,24 0,01 0,12
Pupunha com capina 0,35 0,23 0,04 0,10
Pupunha com amendoim 0,39 0,33 0,05 0,13
Pupunha com arroz 0,30 0,18 0,08 0,03
Pupunha com sorgo 0,18 0,20 0,01 0,31
Pupunha com macaxeira 0,35 0,10 0,05 0,19

Tabela 6. Taxa de crescimento relativo da altura da pupunheira (Silva, 1997).

Tratamentos Taxa de crescimento relativo
2ªCol.-1ªCol. 3ªCol.-2ªCol. 4ªCol.-3ªCol. 5ªCol.-4ªCol.
Pupunha sem capina 0,49 0,20 0,14 0,22
Pupunha com capina 0,37 0,22 0,11 0,28
Pupunha com amendoim 0,49 0,28 0,19 0,26
Pupunha com arroz 0,38 0,13 0,09 0,13
Pupunha com sorgo 0,37 0,12 0,05 0,14
Pupunha com macaxeira 0,47 0,23 0,08 0,15

Tabela 7. Taxa de crescimento relativo do número de folhas verdes das pupunheiras (Silva, 1997).

Tratamentos Taxa de crescimento relativo
2ªCol.-1ªCol. 3ªCol.-2ªCol. 4ªCol.-3ªCol. 5ªCol.-4ªCol.
Pupunha sem capina 0,15 0,05 -0,26 -0,02
Pupunha com capina 0,24 0,13 -0,36 0,14
Pupunha com amendoim 0,15 0,14 -0,32 0
Pupunha com arroz 0,16 0,10 -0,33 0,09
Pupunha com sorgo 0,10 0,25 -0,39 0,15
Pupunha com macaxeira 0,16 0,10 -0,19 0,13

O tratamento que apresentou melhor TCR do diâmetro do caule foi a pupunha com amendoim, enquanto que o tratamento pupunha com arroz apresentou os piores resultados. O tratamento pupunha com sorgo, apresentou uma peculiaridade, pois apresentou um aumento no diâmetro do caule das pupunheiras entre (2ª-1ª) coleta e (3ª-2ª) coleta, não acontecendo o mesmo com os outros tratamentos. Isto pode estar relacionado ao fato do sorgo durante a 2ª-1ª coleta, encontrar-se em plena fase de maturação, competindo com a pupunheira, enquanto que na 3ª-2ª coleta o sorgo já havia sido colhido, não havendo competição. Desta forma, a pupunheira teve pleno desenvolvimento, aumentando a TCR. A TCR da pupunheira consorciada com a macaxeira, teve uma redução bastante acentuada entre a 3ª-2ª coleta, provavelmente porque a macaxeira competia com a pupunheira nesta fase de enchimento das raízes, apesar de Moreira Gomes (1993) afirmar que a mandioca não afeta a produção de frutos da pupunheira consorciada. O tratamento pupunha sem capina foi o que mais reduziu a TCR do diâmetro das pupunheiras em comparação com os demais tratamentos (Silva, 1997).

Os resultados econômicos mostraram ser possível consorciar a pupunheira para produção de palmito com outras espécies anuais no estágio inicial de desenvolvimento. A melhor combinação de consorciação de pupunheira se deu com o amendoim, pois, além do crescimento satisfatório (diâmetro da planta = 6 cm e altura da planta = 65,5 cm aos 11° meses de plantio no campo) e melhor TCR média (diâmetro do caule = 0,225 e altura da planta = 0,25), verificou-se um bom estado nutricional da pupunheira e um melhor retorno econômico com a produção (2,09 t/ha de amendoim casca). Contudo, a pupunheira consorciada com arroz, sorgo ou macaxeira evidenciou a necessidade de se fazer estudos de adubação para diminuir a competição por nutrientes para não afetar o desenvolvimento da pupunheira (Silva, 1997; Silva & Yuyama, 1997).

B) Espaçamento e adubação de pupunheira

Um ensaio de níveis de adubação NPK, uso de micronutrientes, calcário, gêsso e esterco, para a produção de palmito no Sítio Rieda, BR-174, km 8, no município de Manaus, AM, mostrou após 6 meses, que a adubação com NPK (90-90-120), foi a mais eficiente em relação aos demais tratamentos, melhorando o crescimento das plantas que apresentaram diâmetros médios de 3,55 cm; altura 30 cm; número de folhas verdes 7,1 e número de perfilhos 0,99 (Tabela 8).

Tabela 8. Ensaio de diferentes níveis de adubação NPK, uso de micronutrientes, calcário, gêsso e esterco, na cultura da pupunheira para produção de palmito - Sítio Rieda.

Tratamentos Diâmetro da planta
(cm)
Altura da planta
(cm)
Nº. de folhas
verdes
Nº. de
perfilho
 1   Testemunha 2,12 15,3 6,1 0,45
 2   Calcário (1t/ha) 1,77 14,4 5,1 0,00
 3   Gêsso (1t/ha) 2,01 16,3 6,0 0,19
 4   Esterco (12.5t/ha) 2,81 24,5 6,6 0,65
 5   90-45-120 2,72 24,3 6,2 0,29
 6   90-45-240 2,51 22,0 6,3 0,42
 7   90-90-120 3,55 30,0 7,1 0,99
 8   90-90-140 2,24 20,1 5,8 0,13
 9   180-45-120 2,03 18,5 5,2 0,04
10   180-45-240 2,53 22,8 6,1 0,09
11   180-90-120 2,64 23,3 6,2 0,21
12   180-90-240 2,41 21,3 5,8 0,15
13   270-45-120 2,56 22,0 6,0 0,16
14   270-45-240 2,47 21,5 5,7 0,31
15   270-90-120 2,93 25,0 6,6 0,32
16   270-90-240 2,63 23,6 6,9 0,38
17   G + Micro 2,33 20,9 6,3 0,25
18   C + Micro 1,99 16,6 7,2 0,04
19   T + Micro 2,18 20,0 6,2 0,13
20   180-45-240 + Micro 2,72 24,6 6,5 0,46
 4   D.M.S. 1,83 15,72 3,08 1,12
 4   C.V. (%) 28,31 28,03 18,94 12,33

Um outro ensaio (Granja Miyamoto, no AM-10 km 37, no município de Manaus, AM), com níveis crescentes de NPK, não apresentou nenhuma diferença no crescimento das plantas (diâmetro, altura da planta, número de folhas verdes e número de perfilhos), aos 10 meses de plantio (Tabela 9). No entanto, os blocos que receberam 5 kg de esterco/cova mostraram plantas com diâmetro significativamente maior (5,4 e 4,5 cm), altura (49 e 39 cm) e número de perfilhos (2,96 e 1,9).

Tabela 9. Ensaio de diferentes níveis de adubação NPK na cultura de pupunheira para produção de palmito - Granja Miyamoto, km 37 AM-10, Manaus AM.

Tratamentos Altura da
planta (cm)
Diâmetro da
planta (cm)
Nº. de folhas
verdes
Nº. de
perfilhos
Elemento kg/ha
N 75 47 4,9 7,2 1,65
150 50 5,3 7,3 1,79
225 46 4,9 7,1 1,75
P2O5 30 48 4,9 7,2 1,70
60 49 5,1 7,2 1,71
90 46 5,0 7,2 1,79
K2O 60 46 4,9 7,1 1,86
120 46 4,8 7,1 1,67
180 51 5,3 7,4 1,86
D.M.S. 6,7 6,9 0,55 0,22
C.V.(%) 17,06 16,66 9,25 15,60

Num ensaio de adubação e espaçamento de pupunheira na Fazenda Yuricam, no AM-10 km 100, município de Rio Preto da Eva, inicialmente se estabeleceu como a adubação básica NPK (225-25-180) baseada na adubação utilizada por Herrera (1989), que recomendou 200 a 250 kg de N, 20 kg de P2O5 e 160-200 kg de K2O por hectare ano e por Cantarella & Bovi (1995) que recomendaram 222 de N, 32 de P e 172 de K por kg/hectare. Outros tratamentos foram 50% (112,5-12,5-90), 150 % (337,5-38-270) da adubação básica, testemunha (0-0-0) e último tratamento baseado na análise do solo da região, o qual é pobre em fósforo, e para tanto foi utilizado 4,5 vezes P2O5 da adubação básica (225-90-180). A análise de variância mostrou que: a altura, diâmetro da planta, número de folhas e número de perfilhos apreesentaram diferenças significativas (p<0,01) em resposta as diferentes adubações NPK; a que a altura, diametro da planta e número de folhas houve diferença significativa (p<0,01) de probabilidade no efeitos de espaçamentos e apenas o diâmetro da planta mostrou diferença significativa na interação espaçamento x adubação (Yuyama et al., 1997).

A altura da planta no espaçamento de 2 x 1,5 m (51 cm) diferiu significativamente do espaçamento 2 x 1 m (42 cm), enquanto o espaçamento de 1x1 m (45 cm) ficou no intermediário. As plantas na maior densidade (1 x 1 m) apresentaram estiolamento da planta (Tabela 10).

Tabela 10. Efeito de espaçamento na cultura da pupunheira para produção de palmito - Fazenda Yuricam, Am-10, Km 100, Município da Rio Preto da Eva.

Espaçamento Altura da planta
(cm)
Diâmetro da
planta (cm)
Nº de folhas
verdes
Nº de perfilhos
1 x 1 m 44,9 ab 5,15 b 7,9 b 0,87
2 x 1 m 42,3 b 5,12 b 8,0 b 0,98
2 x 1,5 m 51,2 a 5,95 a 9,2 a 1,20
D.M.S. 6,3 0,45 0,6 n.s

Quanto ao diâmetro do planta, o espaçamento de 2 x 1,5 m (5,9 cm) diferiu significativamente dos tratamentos 1 x 1 e 2 x 1 (5,15 cm e 5,12 cm, respectivamente).

O número de folhas por planta foi maior no espaçamento 2 x 1,5 m (9,21) diferindo estatisticamente de 2 x 1m (7,99) e 1 x 1 m (9,91).

A adubação NPK (225-90-180) que apresentou melhor resultado no desenvolvimento das plantas (Tabela 11), diferindo estatisticamente dos demais na altura (62,7 cm), diâmetro da planta (6,84 cm) e número de perfilhos (3,25). O número de folhas foi maior nas adubações (225-90-180 e 225-25-180) diferindo estatisticamente das adubações (0-0-0 e 112,5-12,5-90) e não diferindo da adubação (337,5-38-270). A testemunha (NPK = 0-0-0) foi o que apresentou menor desenvolvimento, como era de se esperar e diferiu dos demais tratamentos (altura =30,9 cm; diâmetro da planta=3,75 cm; número de folhas =6,65 e número de perfilhos=0,2).

Tabela 11. Efeito de adubação N-P-K na cultura da pupunheira para produção de palmito - Fazenda Yuricam, Am-10, Km 100.

Adubação
N-P-K
Altura da
planta (cm)
Diâmetro da
planta (cm)
Nº. de folhas
verdes
Nº. de perfilhos
0-0-0 30,9 c 3,75 c 6,65 c 0,20 c
112,5-13,5-90 43,5 b 5,22 b 8,06 b 0,72 b
337,5-38-270 44,2 b 5,52 b 8,66 ab 1,05 b
225-90-180 62,7 a 6,84 a 9,46 a 3,25 a
225-25-180 49,3 b 5,71 b 9,04 a 1,15 b
D.M.S. 9,5 0,71 0,84 0,40

Houve efeitos interação entre espaçamento e adubação no diâmetro da planta (Tabela 12). No espaçamento de 1 x 1 m, apenas o testemunha (4 cm) diferiu estatisticamente do adubação 225-90-180 (5,8 cm) e 225-25-180 (6 cm). No espaçamento de 2 x 1 m, adubação 225-90-180 (6,4 cm) diferiu da testemunha 0-0-0 (3,5 cm); 112,5-12,5-90 (5,1 cm) e 337,5-38-270 (5,1 cm) e não diferiu da 225-25-180 (5,4 cm). No espaçamento de 2 x 1,5 m, adubação 225-90-180 (8,4 cm) diferiu dos demais tratamentos, seguida de (5,6 cm); 337,5-38-270 (5,1 cm); 225-25-180 (5,7 cm) que diferiram da testemunha (3,7 cm).

Tabela 12. Efeito da interação entre o espaçamento e adubação N-P-K sobre o diâmetro do caule na cultura da pupunheira para produção de palmito - Fazenda Yuricam, Am-10, km100.

Adubação Espaçamento
N-P-K 1 x 1 m 2 x 1 m 2 x 1,5 m
0-0-0 49,70 A b 35,37 A c 37,38 A c
112,5-13,5-90 49,40 A ab 51,44 A b 55,71 A b
337,5-38-270 50,70 B ab 51,01 B b 64,00 A b
225-90-180 57,80 B a 63,84 B a 83,54 A a
225-25-180 60,10 A a 54,42 A ab 56,64 A b
DMS = 12,33 entre adubação dentro de cada espaçamento (a,b,c)
DMS = 10,48 entre espaçamento dentro de cada adubação (A,B)

O efeito de espaçamento dentro da adubação, foi verificado na adubação 337, 5-38-270 e 225-90-180, que o espaçamento de 2 x 1,5 m (6,4 e 8,5 cm de diâmetro da planta) foi superior ao espaçamento 2 x 1 m (5,1 e 6,4 cm) e 1 x 1 m (5,1 e 5,8 cm), respectivamente.

O tratamento de adubação NPK (225-90-180) mostrou maior crescimento em relação ao diâmetro e à altura da planta, número de folhas verdes e perfilhos, superando os níveis de abubação básica (225-25-180). O nível de P2O5 utilizado por Herrera (1989) e Cantarella & Bovi (1995) são similares e obtidos em solo com maior teor de fósforo. Na Amazônia os solos de terra firme, como Latossolo Amarelo, possui teor de fósforo baixíssimo, com a média de 1 a 2 ppm. Desta forma, o acréscimo de dose de P2O5 de 25 para 90 kg/ha/ano, para cultura da pupunheira, pode ser uma dosagem adequada e balanceada para o solo predominante da região Amazônica (Latossolo Amarelo). Espera-se obter no ocasião da colheita de palmito uma resposta mais concreta (Yuyama et al., 1997).

O espaçamento de 2 x 1,5 m apresentou maior desenvolvimento em termos do número de folhas verdes, diâmetro e altura da planta. O trabalho apresentado por Chalá C. (1993) mostrou que o plantio com maior densidade (16.666 plantas/ha) produziram maior número e peso de palmito por hectare, seguidas de 14.183; 10.000; e menor produtivadade com 2.500 plantas/ha, no primeiro e segundo ano de corte. Mora Urpi & Weber (1997) apresentaram o 5º ano de corte de experimento de Chalá e demonstraram que a produtividade se estabilizou no patamar de 1,65 a 2,25 t/ha de palmito para todas as densidades (densidade inicial do plantas que variou de 2.500 a 16.666 plantas por/ha). Este resultado deixa algumas dúvidas, pois não se sabe os tratos culturais (houve ou não controle de perfilhos, corte de palmito na época certa, e a adubação de reposição). Como foi verificado que os tratamentos com maior densidade produziram mais palmito por hectare no primeiro e segundo anos de corte, evidentemente estes necessitam de maior quantidade de nutrientes para reposição. Caso não fosse adubado, a tendência esperada é uniformizar ou até reduzir ainda mais a produtividade de palmito. Por outro lado, aqueles tratamentos com menor densidade aumentou de produtividade, possivelemente devido a maior emissão de perfilhos/planta (maior luminosidade) e maior reserva de nutrientes (menor produtividade nos primeiros anos).

Yuyama & Costa (1994) relataram que touceiras com o maior número de perfilhos por planta (três perfilhos) produziam maior número e peso do palmito em relação a de um perfilho e dois perfilhos. Porém neste ensaio, o efeito de espaçamento sobre o crescimento da planta foi maior no espaçamento de 2 x 1,5 m, provavelmente terá maior peso de palmito por planta em menor espaço de tempo, mas não quer dizer que terá maior rendimento de palmito por hectare, ao longo do tempo (considerando 5 anos de corte). A densidade de plantas e número de perfilhos está ligado diretamente ao rendimento de palmito por hectare, mas ainda faltam os dados para confirmar qual a densidade ideal para produção do palmito. A densidade ideal variará conforme o mercado pretendido, com menor densidade para o mercado de interno (churrascaria e restaurante) e maior densidade para o mercado para exportação envasada.

C) Uso de herbicidas no controle de plantas daninhas

Quando se pensa em utilizar herbicidas ou outros defensivos é necessário inicialmente saber quais os produtos existentes no mercado local, pois muitos produtos eficientes não se encontram na praça de Manaus.

a) Gramoxone - uma das mais comuns no mercado, com o preço mais baixo. Sua inconveniência é ser um herbicida de contato e não possuir ação sistêmica. As plantas adultas queimam as folhas verdes mas geralmente não chegam a morrer, as gramíneas adultas reinfestam em pouco tempo. Nas folhas da pupunha causa queimadura e posteriormente a necrose. O produto é utilizado no plantio da Indústria Sharp em Barcelos, AM, com pulverizador de mangueira com protetor na ponta (chapéu de Napoleão) motorizado, tracionado na tomada de força do trator; classe toxicológica I oferecendo perigo para o aplicador da região.

B) Roundup - eficiente no controle de gramíneas como Brachiaria humidícola que é uma das principais plantas daninhas na área de cultivo de pupunheira, onde foi pastagem. Baixa fitotoxidade nas pupunheiras, é utilizado pela Tapiré Indústria e Comércio Ltda, Iranduba, AM, com bom resultado. Classe toxilógica IV. Tem a desvantagem do preço ser mais elevado.

Além do controle eficiente, o herbicida deixa uma densa camada de matéria orgânica protegendo o solo e mantendo-o úmido por tempo prolongado. De Frank & Clement (1995) testaram para pupunha os seguintes herbicidas em Havaí: oryzarin (Surflan), oxyfluorfen (Goal), paraquat (Gramoxone) e polypropilene mat (PAK). O resultado baseado na precocidade, rendimento de palmito e eficiência de controle foram: PAK semelhante a Goal e superior a Surflan e Paraquat, sendo planta mais predominante foi Eleusine indica-Gramínea (capim pé de galinha), Euphorbia hirta-Euphorbiaceae (erva de santa Luzia) e Siegesbackia orientalis-Compositae (botão de ouro) Apesar da limitação de herbicidas existentes no mercado de Manaus, é necessário se aprofundar nas pesquisas e selecionar os herbicidas eficientes para cada espécie de plantas daninhas predominantes da região.

D) Identificação da época de corte de palmito

Sabe se que o peso do palmito é diretamente proporcional ao tempo (tamanho da planta) de corte, pois as pupunheiras maiores geralmente possuem peso de palmito (maior diâmetro do palmito) maiores em relação as pupunheiras jovens (Moreira Gomes & Arkcoll, 1988). Uma das práticas que é importante para o produtor de palmito de pupunha é a identificação da ponto exato de corte, isto é, aquele ponto onde o crescimento do palmito (diâmetro e comprimento) torna mais lento que não compensa deixar mais tempo ou a época do corte poderia ser determinada pelo mercado pretendido, em combinação com a densidade e adubação. O corte tardio não só prejudica o crescimento dos perfilhos (tempo de recuperação) como também alteram o desenvolvimento do mesmo por falta de luminosidade. Estes perfilhos geralmente ficam estiolados em busca de luz ou definhados por falta de luz, e quando o corte é feito de uma só vez, as folhas destes perfilhos se quebram facilmente (por serem estioladas) e sofrem queimaduras, que prejudicam diretamente o seu crescimento, enquanto os perfilhos definhados demoram para recuperar.

Já existe alguma indicação da altura do corte. Yuyama & Costa (1993) avaliaram em 44 plantas com diferentes alturas da inserção de última folha verde (folha verde mais próxima do solo, de 0,28 a 2,48m). Estas foram subdivididas em 8 freqüências de 25 cm, compondo tratamentos e verificaram que não houve diferença significativa entre: peso e diâmetro do palmito e peso da coração (parte do estipe comestível) indicando que a altura da inserção da última folha verde estiverem acima de 25 cm podem ser extraídos sem a perda na produção de palmito. Alguns autores (Mora Urpi & Weber, 1997; Villachica, 1996) recomendam que quando o diâmetro do estipe (região do colo da planta) estiverem com 9 cm está no ponto de colheita, mas no plantio adensado muitas plantas não atingem este diâmetro. No Havaí, a época do corte é baseada na altura da planta, isto é, quando a planta atingir 1,3 m de altura (Clement, comunicação pessoal). Porém em plantio adensado em Manaus, esta altura parece ser muito baixa, pois a maioria das plantas ainda não apresentou o primeiro nó (local da inserção da folha) acima de 25 cm. Este fato é importante porque o corte de palmito pode afetar os perfilhos existentes. Na região de Manaus, o aparecimento do primeiro nó ocorrem quando a planta tem ao redor de 1,8 m, em densidade de 4000 plantas/ha. Portanto, a época de corte de palmito pode ser baseada inicialmente no aparecimento do primeiro nó e posteriormente na altura da planta.

E) Práticas culturais após o corte de palmito

Considerando os solos da região Amazônica pobres em nutrientes e matéria orgânica, é recomendável deixar o máximo de restos vegetais (folhas e estipe) no campo, que favorece o solo química e fisicamente. Ainda ajudam no controle de plantas daninhas, isto é, com o corte de palmito haverá aumento de luminosidade no solo que favorece a incidência de plantas daninhas, que podem ser abafadas com a massa foliar (que serve de cobertura verde) da pupunheira. Em geral, a biomassa da pupunheira apodrece dentro de um mês, deixando uma camada de cobertura morta, que não só inibe o crescimento de plantas daninhas, protegem o solo e retêm maior umidade no solo.

Agradecimentos:

Agradeço principalmente às empresas privadas que não mediram esforços para me apoiar, cedendo áreas, insumos, transportes, infra-estrutura e pessoal de apoio, para concretizar as pesquisas; ao Sr. Jean Dupui e ao MSc. Wanders Benjamin Chávez-Flores da Fink & Cia Ltda; ao Sr. Miyamoto, da Granja Miyamoto; ao Sr. Alcy Hagge Cavalcante, da Amazonav; aos Sr. Jaime, GALEGO e Euclides, da Tapiré Indústria e Comércio Ltda, e também aos colegas Dr. Newton Bueno e Dr. Manuel Cravo do CPAA/EMBRAPA; MSc. Oswaldo Sassaki, Universidade do Amazonas e meus companheiros do CPCA/INPA, pois sem a colaboração dos mesmos não seria possível prosseguir com as minhas pesquisas de pupunheira no Estado do Amazonas.

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