SISTEMAS DE CULTIVO PARA PRODUÇÃO DE PALMITO DA PUPUNHEIRA
KAORU YUYAMA (1)
Yuyama, K. 1997. Sistemas de cultivo para produção de palmito da pupunheira. Horticultura Brasileira, 15(Suplemento):191-198.
Introdução:
A pupunheira (Bactris gasipaes Kunth, Palmae) foi domesticada pelos índios da Amazônia, sendo utilizada principalmente na alimentação como fonte de energia (amido e lipídio), nutrientes (proteína e vitaminas A com alta biodisponibilidade, Yuyama et al.,1991), e matéria prima para a agroindústria (Clement & Mora Urpi,1987). Em alguns lugares da Amazônia e do noroeste de América do Sul a pupunheira foi um cultivo principal, dada a sua produtividade e a preferêcia pelos povos nativos. Após a chegada dos europeus, a pupunheira foi esquecida e somente na década de 1970 voltou a atrair a atenção dos pesquisadores e, subsequentemente, dos agricultores e das agroindústrias de América Latina. Hoje a pupunheira é uma importante agroindústria na Costa Rica para a extração de palmito e sua importância vem crescendo rapidamente no Brasil, Colômbia, Equador e Perú.
O Brasil é o maior produtor mundial de palmito, com aproximadamente 200.000 t extraídas em 1989 (IBGE, 1990), e também o maior exportador, com 10.000 t exportadas em 1990 a um valor de US$40 milhões. No Brasil, diversas palmeiras produzem palmito comestível, porém apenas as do gênero Euterpe foram exploradas comercialmente em larga escala até recentemente. A grande maioria desta produção é obtida da exploração extrativista de florestas naturais, tanto na reduzida Floresta Atlântica, como na floresta do estuário do Rio Amazonas. Essa exploração tem sido indiscriminada e destrutiva, empobrecendo as florestas e os povos que nelas habitam. Dada esta destruição indiscriminada, o governo, por meio do Ministério do Meio Ambiente, tem regulamentado a exploração extrativista, tornando mais interessante a plantação técnica. Uma vez que as espécies de Euterpe são de crescimento lento e necessitam de sombreamento, os produtores começaram a seguir o modelo de Costa Rica onde a pupunheira é plantada em larga escala. Nos últimos cinco anos, os agricultores brasileiros vem plantando em rítmo acelerado, apesar de dispor de poucas técnicas de cultivo comprovadas. A médio prazo (5-10 anos), a produção de palmito será principalmente de cultivos técnicos de pupunheira substituindo a exploração extrativista das espécies de Euterpe. Infelizmente, a maioria desta nova plantação tem sido realizada em outras regiões do Brasil. Na região Amazônica, calcula-se que existem hoje, ao redor de 2000 ha em exploração, enquanto que em outras regiões do Brasil foram enviadas ao redor de 10 t de sementes ao ano (informação em Tabatinga, AM). Quanto a quantidade plantada no Sul ou Sudeste, a Dra. Bovi deve mencionar em sua palestra. Desta maneira, pode-se dizer que os Amazônidas não tem sido beneficiado quanto ao uso de sua planta nativa.
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) trabalha com a pupunheira desde 1975 (ano de criação do Departamento de Ciências Agronômicas). Atualmente, o INPA possui um banco de germoplasma com mais de 450 acessos, duas coleções de trabalho com mais de 300 acessos de germoplasma inerme (sem espinhos no pecíolo (>95%), proveniente de Yurimáguas, Peru, Yuyama & Chávez, 1996) para o programa de melhoramento para a produção de palmito e conta com uma equipe multidisciplinar e inter-institucional (CPAA/EMBRAPA, CENARGEN/EMBRAPA e Universidade do Amazonas - UA) e o apoio de cooperativas, associações de produtores e empresários privados, para desenvolver as técnicas de cultivo para a região Amazônica.
Os agricultores necessitam de um "pacote tecnológico" que deve incluir técnicas de manejo de plantas e de agroecossistemas para tornar este cultivo sustentável a longo prazo, e contribuir para evitar a degradação do meio ambiente. Ressalta-se ainda a inclusão de estudos ecológicos (modificação do solo e sua biologia), agronômicos (manejo de sementes, produção de mudas, densidade de plantio, manejo de plantas, fertilização do solo, consorciação com cultivos anuais), e técnicas pós-colheita.
Este pacote tecnológico está sendo repassado aos agricultores diretamente ou por meio do órgão estadual de assistência técnica e extensão rural, promovendo demonstrações diretamente no campo, nas comunidades, cooperativas e agroindústrias. A metodologia utilizada nesta pesquisa proporciona a interação de pesquisadores com os pequenos e médios produtores rurais e suas famílias e empresários, o que implica numa intensa troca de informações entre ambos permitindo uma significativa participação dos produtores rurais nos ajustes necessários à ações de pesquisa. Dessa forma, os conhecimentos e os produtos já produzidos ou os que vierem a ser gerados pelas ações de pesquisa poderão ser utilizados imediatamente pelos produtores rurais.
Neste sentido, o INPA juntamente com as cooperativas, associação de produtores e empresas privadas tem instalado alguns ensaios de adubação, consorciação, espaçamento para produção de palmito. Quanto à disseminação ou divulgação dos resultados, o meio mais eficiente e rápido é a comprovação visual de plantio e sucesso de cultivo dos "vizinhos".
Resultados alcançados:
A) Consorciação de pupunheira com culturas anuais
Silva & Yuyama (1997) avaliaram o desenvolvimento da pupunheira para produção de palmito em sistema de monocultivo (com e sem capina) e de consórcio com as seguintes espécies de ciclo curto: amendoim, arroz, sorgo e macaxeira. Estes autores ainda verificaram a produção de culturas anuais (Tabela 1), que mostrou a macaxeira como a mais produtiva, diferenciando-se das demais, apesar de ser a única espécie que produziu menos do que a média nacional, conforme IBGE (1993). Mas quando analisado o seu valor econômico (R$), amendoim, arroz e macaxeira não diferiram estatisticamente entre sí, porém superaram ao sorgo. Considerando que os custos de implantação tenham sido iguais em todos os tratamentos, a melhor renda foi obtida no cultivo do amendoim, embora não tenha diferido estatisticamente do cultivo do arroz e macaxeira. Este resultado pode ser flutuante, pois varia de acordo com os valores do mercado.
Tabela 1. Dados médio de produção, em t/ha, e seu valor econômico de quatro espécies, em R$/ha, utilizadas em consorciação com pupunheiras (Silva, 1997)
| Espécies | Produção (t/ha) | Valor econômico (R$/ha) |
| Amendoim | 2,09 b | 671,40 a |
| Arroz | 2,48 b | 522,50 a |
| Sorgo | 2,06 b | 227,50 b |
| Macaxeira | 7,23 a | 578,40 a |
| F | 22,4 ** | 9,2 ** |
| C.V. (%) | 30,60 | 25,30 |
Médias seguidas de mesma letra na vertical, não diferem estatisticamente entre si, pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade.
** Significativo ao nível de 1% de probabilidade.
O sistema de consórcio de pupunheira com gramíneas (arroz e sorgo) demonstrou um amarelecimento das folhas e aparentemente menos desenvolvimento da pupunheira, principalmente com sorgo, estando de acordo com MORA URPI et al. (1982), o qual cita que a pupunheira não tolera a presença de gramíneas, pois seu sistema radicular é superficial e é muito afetado pela competição, particularmente por nitrogênio disponível. Ferreira et al. (1980) relataram que a grande maioria do sistema radicular da pupunheira fica na camada de 20 cm superficial. Os dados médios de diâmetro do caule, altura da planta e número de folhas verdes são apresentados nas Tabela 2, 3 e 4.
Tabela 2. Comparação dos dados médios do diâmetro do caule das pupunheiras, em cm, em monocultivo e consorciadas com cultivos anuais, coletados de fevereiro a outubro de 1996, em intervalos de dois meses (Silva, 1997).
| Tratamentos | 1ª Coleta | 2ª Coleta | 3ª Coleta | 4ª Coleta | 5ª Coleta |
| Pupunha sem capina | 2,21 | 3,25 | 4,15 ab | 4,16 ab | 4,7 ab |
| Pupunha com capina | 1,90 | 2,69 | 3,38 b | 3,53 b | 3,9 b |
| Pupunha com amendoim | 2,41 | 3,56 | 5,00 a | 5,24 a | 6,0 a |
| Pupunha com arroz | 2,06 | 2,77 | 3,30 b | 3,18 b | 3,7 b |
| Pupunha com sorgo | 1,93 | 2,30 | 2,82 b | 2,74 b | 3,9 b |
| Pupunha com macaxeira | 2,03 | 2,89 | 3,20 b | 3,38 b | 4,1 b |
| DMS | ns | ns | 1,58 | 1,47 | 1,90 |
As mesmas letras na vertical não diferem entre si, ao nível de 5% de probabilidade, pelo Teste de Tukey.
Tabela 3. Comparação dos dados médios da altura das plantas das pupunheiras, em cm, em monocultivo e consorciadas com cultivos anuais, coletados de fevereiro a outubro de 1996, em intervalos de dois meses (Silva, 1997).
| Tratamentos | 1ª Coleta | 2ª Coleta | 3ª Coleta | 4ª Coleta | 5ª Coleta |
| Pupunha sem capina | 19,04 | 31,15 | 38,30 | 44,2 ab | 55,1 ab |
| Pupunha com capina | 17,72 | 25,78 | 32,15 | 35,9 ab | 47,4 abc |
| Pupunha com amendoim | 19,16 | 31,18 | 41,48 | 50,2 a | 65,5 a |
| Pupunha com arroz | 18,49 | 27,15 | 31,00 | 33,8 b | 38,5 bc |
| Pupunha com sorgo | 17,20 | 24,93 | 28,28 | 29,9 b | 34,4 c |
| Pupunha com macaxeira | 17,68 | 28,40 | 35,85 | 39,0 ab | 45,5 abc |
| DMS | ns | ns | ns | 15,43 | 20,15 |
As mesmas letras na vertical não diferem entre si, ao nível de 5% de probabilidade, pelo Teste de Tukey.
Tabela 4. Comparação dos dados médios número de folhas verdes das pupunheiras, em monocultivo e consorciadas com cultivos anuais, coletados de fevereiro a outubro de 1996, em intervalos de dois meses (Silva, 1997).
| Tratamento | 1ª Coleta | 2ª Coleta | 3ª Coleta | 4ª Coleta | 5ª Coleta |
| Pupunha sem capina | 5,10 | 5,90 | 6,22 | 4,8 ab | 4,9 |
| Pupunha com capina | 4,45 | 5,68 | 6,48 | 4,5 ab | 5,2 |
| Pupunha com amendoim | 5,22 | 6,08 | 7,00 | 5,1 a | 5,1 |
| Pupunha com arroz | 4,65 | 5,45 | 6,00 | 4,3 ab | 4,7 |
| Pupunha com sorgo | 4,15 | 4,60 | 5,93 | 4,0 b | 4,6 |
| Pupunha com macaxeira | 4,50 | 5,28 | 5,82 | 4,8 ab | 5,4 |
| DMS | ns | ns | ns | 0,91 | ns |
As mesmas letras na vertical não diferem entre si, ao nível de 5% de probabilidade, pelo Teste de Tukey.
A taxa de crescimento relativo (TCR) do diâmetro do caule, altura da planta e número de folhas verdes apresentaram um decréscimo ao longo do período, porém foram mais acentuados na (4ª-3ª) coleta em todos os tratamentos (Tabelas 5, 6 e 7). Isto provavelmente foi devido a diminuição da precipitação pluviométrica, que provocou um estresse fisiológico, reduzindo assim o seu metabolismo. A reduzida TCR foi devido ao número de folhas verdes, que diminuiu acentuadamente, reduzindo as atividades fotossintéticas, e consequentemente diminuiu a taxa de crescimento. Com a chegada das chuvas no mês de setembro e outubro as folhas voltaram a crescer (Silva, 1997). A TCR normalmente decresce com a idade da planta, durante o período de crescimento vegetativo (Yuyama, 1991).
Tabela 5. Taxa de crescimento relativo do diâmetro do caule das pupunheiras (Silva, 1997).
| Tratamentos | Taxa de crescimento relativo | |||
| 2ªCol.-1ªCol. | 3ªCol.-2ªCol. | 4ªCol.-3ªCol. | 5ªCol.-4ªCol. | |
| Pupunha sem capina | 0,38 | 0,24 | 0,01 | 0,12 |
| Pupunha com capina | 0,35 | 0,23 | 0,04 | 0,10 |
| Pupunha com amendoim | 0,39 | 0,33 | 0,05 | 0,13 |
| Pupunha com arroz | 0,30 | 0,18 | 0,08 | 0,03 |
| Pupunha com sorgo | 0,18 | 0,20 | 0,01 | 0,31 |
| Pupunha com macaxeira | 0,35 | 0,10 | 0,05 | 0,19 |
Tabela 6. Taxa de crescimento relativo da altura da pupunheira (Silva, 1997).
| Tratamentos | Taxa de crescimento relativo | |||
| 2ªCol.-1ªCol. | 3ªCol.-2ªCol. | 4ªCol.-3ªCol. | 5ªCol.-4ªCol. | |
| Pupunha sem capina | 0,49 | 0,20 | 0,14 | 0,22 |
| Pupunha com capina | 0,37 | 0,22 | 0,11 | 0,28 |
| Pupunha com amendoim | 0,49 | 0,28 | 0,19 | 0,26 |
| Pupunha com arroz | 0,38 | 0,13 | 0,09 | 0,13 |
| Pupunha com sorgo | 0,37 | 0,12 | 0,05 | 0,14 |
| Pupunha com macaxeira | 0,47 | 0,23 | 0,08 | 0,15 |
Tabela 7. Taxa de crescimento relativo do número de folhas verdes das pupunheiras (Silva, 1997).
| Tratamentos | Taxa de crescimento relativo | |||
| 2ªCol.-1ªCol. | 3ªCol.-2ªCol. | 4ªCol.-3ªCol. | 5ªCol.-4ªCol. | |
| Pupunha sem capina | 0,15 | 0,05 | -0,26 | -0,02 |
| Pupunha com capina | 0,24 | 0,13 | -0,36 | 0,14 |
| Pupunha com amendoim | 0,15 | 0,14 | -0,32 | 0 |
| Pupunha com arroz | 0,16 | 0,10 | -0,33 | 0,09 |
| Pupunha com sorgo | 0,10 | 0,25 | -0,39 | 0,15 |
| Pupunha com macaxeira | 0,16 | 0,10 | -0,19 | 0,13 |
O tratamento que apresentou melhor TCR do diâmetro do caule foi a pupunha com amendoim, enquanto que o tratamento pupunha com arroz apresentou os piores resultados. O tratamento pupunha com sorgo, apresentou uma peculiaridade, pois apresentou um aumento no diâmetro do caule das pupunheiras entre (2ª-1ª) coleta e (3ª-2ª) coleta, não acontecendo o mesmo com os outros tratamentos. Isto pode estar relacionado ao fato do sorgo durante a 2ª-1ª coleta, encontrar-se em plena fase de maturação, competindo com a pupunheira, enquanto que na 3ª-2ª coleta o sorgo já havia sido colhido, não havendo competição. Desta forma, a pupunheira teve pleno desenvolvimento, aumentando a TCR. A TCR da pupunheira consorciada com a macaxeira, teve uma redução bastante acentuada entre a 3ª-2ª coleta, provavelmente porque a macaxeira competia com a pupunheira nesta fase de enchimento das raízes, apesar de Moreira Gomes (1993) afirmar que a mandioca não afeta a produção de frutos da pupunheira consorciada. O tratamento pupunha sem capina foi o que mais reduziu a TCR do diâmetro das pupunheiras em comparação com os demais tratamentos (Silva, 1997).
Os resultados econômicos mostraram ser possível consorciar a pupunheira para produção de palmito com outras espécies anuais no estágio inicial de desenvolvimento. A melhor combinação de consorciação de pupunheira se deu com o amendoim, pois, além do crescimento satisfatório (diâmetro da planta = 6 cm e altura da planta = 65,5 cm aos 11° meses de plantio no campo) e melhor TCR média (diâmetro do caule = 0,225 e altura da planta = 0,25), verificou-se um bom estado nutricional da pupunheira e um melhor retorno econômico com a produção (2,09 t/ha de amendoim casca). Contudo, a pupunheira consorciada com arroz, sorgo ou macaxeira evidenciou a necessidade de se fazer estudos de adubação para diminuir a competição por nutrientes para não afetar o desenvolvimento da pupunheira (Silva, 1997; Silva & Yuyama, 1997).
B) Espaçamento e adubação de pupunheira
Um ensaio de níveis de adubação NPK, uso de micronutrientes, calcário, gêsso e esterco, para a produção de palmito no Sítio Rieda, BR-174, km 8, no município de Manaus, AM, mostrou após 6 meses, que a adubação com NPK (90-90-120), foi a mais eficiente em relação aos demais tratamentos, melhorando o crescimento das plantas que apresentaram diâmetros médios de 3,55 cm; altura 30 cm; número de folhas verdes 7,1 e número de perfilhos 0,99 (Tabela 8).
Tabela 8. Ensaio de diferentes níveis de adubação NPK, uso de micronutrientes, calcário, gêsso e esterco, na cultura da pupunheira para produção de palmito - Sítio Rieda.
| Tratamentos | Diâmetro da planta (cm) |
Altura da planta (cm) |
Nº. de folhas verdes |
Nº. de perfilho |
| 1 Testemunha | 2,12 | 15,3 | 6,1 | 0,45 |
| 2 Calcário (1t/ha) | 1,77 | 14,4 | 5,1 | 0,00 |
| 3 Gêsso (1t/ha) | 2,01 | 16,3 | 6,0 | 0,19 |
| 4 Esterco (12.5t/ha) | 2,81 | 24,5 | 6,6 | 0,65 |
| 5 90-45-120 | 2,72 | 24,3 | 6,2 | 0,29 |
| 6 90-45-240 | 2,51 | 22,0 | 6,3 | 0,42 |
| 7 90-90-120 | 3,55 | 30,0 | 7,1 | 0,99 |
| 8 90-90-140 | 2,24 | 20,1 | 5,8 | 0,13 |
| 9 180-45-120 | 2,03 | 18,5 | 5,2 | 0,04 |
| 10 180-45-240 | 2,53 | 22,8 | 6,1 | 0,09 |
| 11 180-90-120 | 2,64 | 23,3 | 6,2 | 0,21 |
| 12 180-90-240 | 2,41 | 21,3 | 5,8 | 0,15 |
| 13 270-45-120 | 2,56 | 22,0 | 6,0 | 0,16 |
| 14 270-45-240 | 2,47 | 21,5 | 5,7 | 0,31 |
| 15 270-90-120 | 2,93 | 25,0 | 6,6 | 0,32 |
| 16 270-90-240 | 2,63 | 23,6 | 6,9 | 0,38 |
| 17 G + Micro | 2,33 | 20,9 | 6,3 | 0,25 |
| 18 C + Micro | 1,99 | 16,6 | 7,2 | 0,04 |
| 19 T + Micro | 2,18 | 20,0 | 6,2 | 0,13 |
| 20 180-45-240 + Micro | 2,72 | 24,6 | 6,5 | 0,46 |
| 4 D.M.S. | 1,83 | 15,72 | 3,08 | 1,12 |
| 4 C.V. (%) | 28,31 | 28,03 | 18,94 | 12,33 |
Um outro ensaio (Granja Miyamoto, no AM-10 km 37, no município de Manaus, AM), com níveis crescentes de NPK, não apresentou nenhuma diferença no crescimento das plantas (diâmetro, altura da planta, número de folhas verdes e número de perfilhos), aos 10 meses de plantio (Tabela 9). No entanto, os blocos que receberam 5 kg de esterco/cova mostraram plantas com diâmetro significativamente maior (5,4 e 4,5 cm), altura (49 e 39 cm) e número de perfilhos (2,96 e 1,9).
Tabela 9. Ensaio de diferentes níveis de adubação NPK na cultura de pupunheira para produção de palmito - Granja Miyamoto, km 37 AM-10, Manaus AM.
| Tratamentos | Altura da planta (cm) |
Diâmetro da planta (cm) |
Nº. de folhas verdes |
Nº. de perfilhos |
|
| Elemento | kg/ha | ||||
| N | 75 | 47 | 4,9 | 7,2 | 1,65 |
| 150 | 50 | 5,3 | 7,3 | 1,79 | |
| 225 | 46 | 4,9 | 7,1 | 1,75 | |
| P2O5 | 30 | 48 | 4,9 | 7,2 | 1,70 |
| 60 | 49 | 5,1 | 7,2 | 1,71 | |
| 90 | 46 | 5,0 | 7,2 | 1,79 | |
| K2O | 60 | 46 | 4,9 | 7,1 | 1,86 |
| 120 | 46 | 4,8 | 7,1 | 1,67 | |
| 180 | 51 | 5,3 | 7,4 | 1,86 | |
| D.M.S. | 6,7 | 6,9 | 0,55 | 0,22 | |
| C.V.(%) | 17,06 | 16,66 | 9,25 | 15,60 | |
Num ensaio de adubação e espaçamento de pupunheira na Fazenda Yuricam, no AM-10 km 100, município de Rio Preto da Eva, inicialmente se estabeleceu como a adubação básica NPK (225-25-180) baseada na adubação utilizada por Herrera (1989), que recomendou 200 a 250 kg de N, 20 kg de P2O5 e 160-200 kg de K2O por hectare ano e por Cantarella & Bovi (1995) que recomendaram 222 de N, 32 de P e 172 de K por kg/hectare. Outros tratamentos foram 50% (112,5-12,5-90), 150 % (337,5-38-270) da adubação básica, testemunha (0-0-0) e último tratamento baseado na análise do solo da região, o qual é pobre em fósforo, e para tanto foi utilizado 4,5 vezes P2O5 da adubação básica (225-90-180). A análise de variância mostrou que: a altura, diâmetro da planta, número de folhas e número de perfilhos apreesentaram diferenças significativas (p<0,01) em resposta as diferentes adubações NPK; a que a altura, diametro da planta e número de folhas houve diferença significativa (p<0,01) de probabilidade no efeitos de espaçamentos e apenas o diâmetro da planta mostrou diferença significativa na interação espaçamento x adubação (Yuyama et al., 1997).
A altura da planta no espaçamento de 2 x 1,5 m (51 cm) diferiu significativamente do espaçamento 2 x 1 m (42 cm), enquanto o espaçamento de 1x1 m (45 cm) ficou no intermediário. As plantas na maior densidade (1 x 1 m) apresentaram estiolamento da planta (Tabela 10).
Tabela 10. Efeito de espaçamento na cultura da pupunheira para produção de palmito - Fazenda Yuricam, Am-10, Km 100, Município da Rio Preto da Eva.
| Espaçamento | Altura da planta (cm) |
Diâmetro da planta (cm) |
Nº de folhas verdes |
Nº de perfilhos |
| 1 x 1 m | 44,9 ab | 5,15 b | 7,9 b | 0,87 |
| 2 x 1 m | 42,3 b | 5,12 b | 8,0 b | 0,98 |
| 2 x 1,5 m | 51,2 a | 5,95 a | 9,2 a | 1,20 |
| D.M.S. | 6,3 | 0,45 | 0,6 | n.s |
Quanto ao diâmetro do planta, o espaçamento de 2 x 1,5 m (5,9 cm) diferiu significativamente dos tratamentos 1 x 1 e 2 x 1 (5,15 cm e 5,12 cm, respectivamente).
O número de folhas por planta foi maior no espaçamento 2 x 1,5 m (9,21) diferindo estatisticamente de 2 x 1m (7,99) e 1 x 1 m (9,91).
A adubação NPK (225-90-180) que apresentou melhor resultado no desenvolvimento das plantas (Tabela 11), diferindo estatisticamente dos demais na altura (62,7 cm), diâmetro da planta (6,84 cm) e número de perfilhos (3,25). O número de folhas foi maior nas adubações (225-90-180 e 225-25-180) diferindo estatisticamente das adubações (0-0-0 e 112,5-12,5-90) e não diferindo da adubação (337,5-38-270). A testemunha (NPK = 0-0-0) foi o que apresentou menor desenvolvimento, como era de se esperar e diferiu dos demais tratamentos (altura =30,9 cm; diâmetro da planta=3,75 cm; número de folhas =6,65 e número de perfilhos=0,2).
Tabela 11. Efeito de adubação N-P-K na cultura da pupunheira para produção de palmito - Fazenda Yuricam, Am-10, Km 100.
| Adubação N-P-K |
Altura da planta (cm) |
Diâmetro da planta (cm) |
Nº. de folhas verdes |
Nº. de perfilhos |
| 0-0-0 | 30,9 c | 3,75 c | 6,65 c | 0,20 c |
| 112,5-13,5-90 | 43,5 b | 5,22 b | 8,06 b | 0,72 b |
| 337,5-38-270 | 44,2 b | 5,52 b | 8,66 ab | 1,05 b |
| 225-90-180 | 62,7 a | 6,84 a | 9,46 a | 3,25 a |
| 225-25-180 | 49,3 b | 5,71 b | 9,04 a | 1,15 b |
| D.M.S. | 9,5 | 0,71 | 0,84 | 0,40 |
Houve efeitos interação entre espaçamento e adubação no diâmetro da planta (Tabela 12). No espaçamento de 1 x 1 m, apenas o testemunha (4 cm) diferiu estatisticamente do adubação 225-90-180 (5,8 cm) e 225-25-180 (6 cm). No espaçamento de 2 x 1 m, adubação 225-90-180 (6,4 cm) diferiu da testemunha 0-0-0 (3,5 cm); 112,5-12,5-90 (5,1 cm) e 337,5-38-270 (5,1 cm) e não diferiu da 225-25-180 (5,4 cm). No espaçamento de 2 x 1,5 m, adubação 225-90-180 (8,4 cm) diferiu dos demais tratamentos, seguida de (5,6 cm); 337,5-38-270 (5,1 cm); 225-25-180 (5,7 cm) que diferiram da testemunha (3,7 cm).
Tabela 12. Efeito da interação entre o espaçamento e adubação N-P-K sobre o diâmetro do caule na cultura da pupunheira para produção de palmito - Fazenda Yuricam, Am-10, km100.
| Adubação | Espaçamento | ||
| N-P-K | 1 x 1 m | 2 x 1 m | 2 x 1,5 m |
| 0-0-0 | 49,70 A b | 35,37 A c | 37,38 A c |
| 112,5-13,5-90 | 49,40 A ab | 51,44 A b | 55,71 A b |
| 337,5-38-270 | 50,70 B ab | 51,01 B b | 64,00 A b |
| 225-90-180 | 57,80 B a | 63,84 B a | 83,54 A a |
| 225-25-180 | 60,10 A a | 54,42 A ab | 56,64 A b |
| DMS = 12,33 entre adubação dentro de cada espaçamento (a,b,c) | |||
| DMS = 10,48 entre espaçamento dentro de cada adubação (A,B) | |||
O efeito de espaçamento dentro da adubação, foi verificado na adubação 337, 5-38-270 e 225-90-180, que o espaçamento de 2 x 1,5 m (6,4 e 8,5 cm de diâmetro da planta) foi superior ao espaçamento 2 x 1 m (5,1 e 6,4 cm) e 1 x 1 m (5,1 e 5,8 cm), respectivamente.
O tratamento de adubação NPK (225-90-180) mostrou maior crescimento em relação ao diâmetro e à altura da planta, número de folhas verdes e perfilhos, superando os níveis de abubação básica (225-25-180). O nível de P2O5 utilizado por Herrera (1989) e Cantarella & Bovi (1995) são similares e obtidos em solo com maior teor de fósforo. Na Amazônia os solos de terra firme, como Latossolo Amarelo, possui teor de fósforo baixíssimo, com a média de 1 a 2 ppm. Desta forma, o acréscimo de dose de P2O5 de 25 para 90 kg/ha/ano, para cultura da pupunheira, pode ser uma dosagem adequada e balanceada para o solo predominante da região Amazônica (Latossolo Amarelo). Espera-se obter no ocasião da colheita de palmito uma resposta mais concreta (Yuyama et al., 1997).
O espaçamento de 2 x 1,5 m apresentou maior desenvolvimento em termos do número de folhas verdes, diâmetro e altura da planta. O trabalho apresentado por Chalá C. (1993) mostrou que o plantio com maior densidade (16.666 plantas/ha) produziram maior número e peso de palmito por hectare, seguidas de 14.183; 10.000; e menor produtivadade com 2.500 plantas/ha, no primeiro e segundo ano de corte. Mora Urpi & Weber (1997) apresentaram o 5º ano de corte de experimento de Chalá e demonstraram que a produtividade se estabilizou no patamar de 1,65 a 2,25 t/ha de palmito para todas as densidades (densidade inicial do plantas que variou de 2.500 a 16.666 plantas por/ha). Este resultado deixa algumas dúvidas, pois não se sabe os tratos culturais (houve ou não controle de perfilhos, corte de palmito na época certa, e a adubação de reposição). Como foi verificado que os tratamentos com maior densidade produziram mais palmito por hectare no primeiro e segundo anos de corte, evidentemente estes necessitam de maior quantidade de nutrientes para reposição. Caso não fosse adubado, a tendência esperada é uniformizar ou até reduzir ainda mais a produtividade de palmito. Por outro lado, aqueles tratamentos com menor densidade aumentou de produtividade, possivelemente devido a maior emissão de perfilhos/planta (maior luminosidade) e maior reserva de nutrientes (menor produtividade nos primeiros anos).
Yuyama & Costa (1994) relataram que touceiras com o maior número de perfilhos por planta (três perfilhos) produziam maior número e peso do palmito em relação a de um perfilho e dois perfilhos. Porém neste ensaio, o efeito de espaçamento sobre o crescimento da planta foi maior no espaçamento de 2 x 1,5 m, provavelmente terá maior peso de palmito por planta em menor espaço de tempo, mas não quer dizer que terá maior rendimento de palmito por hectare, ao longo do tempo (considerando 5 anos de corte). A densidade de plantas e número de perfilhos está ligado diretamente ao rendimento de palmito por hectare, mas ainda faltam os dados para confirmar qual a densidade ideal para produção do palmito. A densidade ideal variará conforme o mercado pretendido, com menor densidade para o mercado de interno (churrascaria e restaurante) e maior densidade para o mercado para exportação envasada.
C) Uso de herbicidas no controle de plantas daninhas
Quando se pensa em utilizar herbicidas ou outros defensivos é necessário inicialmente saber quais os produtos existentes no mercado local, pois muitos produtos eficientes não se encontram na praça de Manaus.
a) Gramoxone - uma das mais comuns no mercado, com o preço mais baixo. Sua inconveniência é ser um herbicida de contato e não possuir ação sistêmica. As plantas adultas queimam as folhas verdes mas geralmente não chegam a morrer, as gramíneas adultas reinfestam em pouco tempo. Nas folhas da pupunha causa queimadura e posteriormente a necrose. O produto é utilizado no plantio da Indústria Sharp em Barcelos, AM, com pulverizador de mangueira com protetor na ponta (chapéu de Napoleão) motorizado, tracionado na tomada de força do trator; classe toxicológica I oferecendo perigo para o aplicador da região.
B) Roundup - eficiente no controle de gramíneas como Brachiaria humidícola que é uma das principais plantas daninhas na área de cultivo de pupunheira, onde foi pastagem. Baixa fitotoxidade nas pupunheiras, é utilizado pela Tapiré Indústria e Comércio Ltda, Iranduba, AM, com bom resultado. Classe toxilógica IV. Tem a desvantagem do preço ser mais elevado.
Além do controle eficiente, o herbicida deixa uma densa camada de matéria orgânica protegendo o solo e mantendo-o úmido por tempo prolongado. De Frank & Clement (1995) testaram para pupunha os seguintes herbicidas em Havaí: oryzarin (Surflan), oxyfluorfen (Goal), paraquat (Gramoxone) e polypropilene mat (PAK). O resultado baseado na precocidade, rendimento de palmito e eficiência de controle foram: PAK semelhante a Goal e superior a Surflan e Paraquat, sendo planta mais predominante foi Eleusine indica-Gramínea (capim pé de galinha), Euphorbia hirta-Euphorbiaceae (erva de santa Luzia) e Siegesbackia orientalis-Compositae (botão de ouro) Apesar da limitação de herbicidas existentes no mercado de Manaus, é necessário se aprofundar nas pesquisas e selecionar os herbicidas eficientes para cada espécie de plantas daninhas predominantes da região.
D) Identificação da época de corte de palmito
Sabe se que o peso do palmito é diretamente proporcional ao tempo (tamanho da planta) de corte, pois as pupunheiras maiores geralmente possuem peso de palmito (maior diâmetro do palmito) maiores em relação as pupunheiras jovens (Moreira Gomes & Arkcoll, 1988). Uma das práticas que é importante para o produtor de palmito de pupunha é a identificação da ponto exato de corte, isto é, aquele ponto onde o crescimento do palmito (diâmetro e comprimento) torna mais lento que não compensa deixar mais tempo ou a época do corte poderia ser determinada pelo mercado pretendido, em combinação com a densidade e adubação. O corte tardio não só prejudica o crescimento dos perfilhos (tempo de recuperação) como também alteram o desenvolvimento do mesmo por falta de luminosidade. Estes perfilhos geralmente ficam estiolados em busca de luz ou definhados por falta de luz, e quando o corte é feito de uma só vez, as folhas destes perfilhos se quebram facilmente (por serem estioladas) e sofrem queimaduras, que prejudicam diretamente o seu crescimento, enquanto os perfilhos definhados demoram para recuperar.
Já existe alguma indicação da altura do corte. Yuyama & Costa (1993) avaliaram em 44 plantas com diferentes alturas da inserção de última folha verde (folha verde mais próxima do solo, de 0,28 a 2,48m). Estas foram subdivididas em 8 freqüências de 25 cm, compondo tratamentos e verificaram que não houve diferença significativa entre: peso e diâmetro do palmito e peso da coração (parte do estipe comestível) indicando que a altura da inserção da última folha verde estiverem acima de 25 cm podem ser extraídos sem a perda na produção de palmito. Alguns autores (Mora Urpi & Weber, 1997; Villachica, 1996) recomendam que quando o diâmetro do estipe (região do colo da planta) estiverem com 9 cm está no ponto de colheita, mas no plantio adensado muitas plantas não atingem este diâmetro. No Havaí, a época do corte é baseada na altura da planta, isto é, quando a planta atingir 1,3 m de altura (Clement, comunicação pessoal). Porém em plantio adensado em Manaus, esta altura parece ser muito baixa, pois a maioria das plantas ainda não apresentou o primeiro nó (local da inserção da folha) acima de 25 cm. Este fato é importante porque o corte de palmito pode afetar os perfilhos existentes. Na região de Manaus, o aparecimento do primeiro nó ocorrem quando a planta tem ao redor de 1,8 m, em densidade de 4000 plantas/ha. Portanto, a época de corte de palmito pode ser baseada inicialmente no aparecimento do primeiro nó e posteriormente na altura da planta.
E) Práticas culturais após o corte de palmito
Considerando os solos da região Amazônica pobres em nutrientes e matéria orgânica, é recomendável deixar o máximo de restos vegetais (folhas e estipe) no campo, que favorece o solo química e fisicamente. Ainda ajudam no controle de plantas daninhas, isto é, com o corte de palmito haverá aumento de luminosidade no solo que favorece a incidência de plantas daninhas, que podem ser abafadas com a massa foliar (que serve de cobertura verde) da pupunheira. Em geral, a biomassa da pupunheira apodrece dentro de um mês, deixando uma camada de cobertura morta, que não só inibe o crescimento de plantas daninhas, protegem o solo e retêm maior umidade no solo.
Agradecimentos:
Agradeço principalmente às empresas privadas que não mediram esforços para me apoiar, cedendo áreas, insumos, transportes, infra-estrutura e pessoal de apoio, para concretizar as pesquisas; ao Sr. Jean Dupui e ao MSc. Wanders Benjamin Chávez-Flores da Fink & Cia Ltda; ao Sr. Miyamoto, da Granja Miyamoto; ao Sr. Alcy Hagge Cavalcante, da Amazonav; aos Sr. Jaime, GALEGO e Euclides, da Tapiré Indústria e Comércio Ltda, e também aos colegas Dr. Newton Bueno e Dr. Manuel Cravo do CPAA/EMBRAPA; MSc. Oswaldo Sassaki, Universidade do Amazonas e meus companheiros do CPCA/INPA, pois sem a colaboração dos mesmos não seria possível prosseguir com as minhas pesquisas de pupunheira no Estado do Amazonas.
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