SEVERIDADE DE DOENÇAS FOLIARES DA PUPUNHEIRA
EM DIFERENTES PERÍODOS CLIMÁTICOS, NÍVEIS DE ADUBAÇÃO E ESPAÇAMENTOS.
SEVERITY OF LEAF DISEASES ON PEACH PALM
IN DIFFERENT CLIMATIC PERIODS, FERTILIZATION AND SPACING LEVELS
Solange M. Véras & Kaoru Yuyama1
Veras, S.M. & Yuyama, K. 2000. Severidade de doenças foliares da pupunheira em diferentes períodos climáticos, níveis de adubação e espaçamentos.Fitopatologia Brasileira, 25(Suplemento):433.
Resumos: 33º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, Belém, PA, Agosto 2000
Introdução
Palmeira tropical originária da região Amazônica, a pupunheira (Bactris gasipaes Kunt) vem assumindo grande importância econômica no Amazonas e no país em decorrência de suas qualidades botânicas, agronômicas e agroindustriais.
Seu cultivo para produção de palmito vem ganhando espaço em substituição a outras palmeiras, como juçara (Euterpe edulis), açaí do Amazonas (Euterpe precatoria), açaí do Pará (Euterpe oleracea) e jauari (Astrocaryum jauari), por apresentar as vantagens de precocidade de produção, alta capacidade de perfilhamento e adaptação às condições adversas. Seus frutos possuem alto valor nutritivo (carboidratos, cálcio, ferro, fósforo e vitamina A).
Devido à grande procura por sementes de pupunha, e o conseqüente aumento da área plantada, problemas de caráter fitotécnico e fitossanitário poderão exercer efeito decisivo na produtividade da cultura. Em vista disto, pesquisadores do INPA desenvolvem trabalhos nas diversas áreas de produção, visando solucionar e/ou minimizar os problemas decorrentes de sua exploração.
Objetivo
Conhecer o efeito do espaçamento e níveis de adubação em diferentes períodos climáticos na severidade das doenças da pupunheira, através de levantamentos em campos de produção de palmito na região de Manaus.
Material e Métodos
Os levantamentos foram realizados em dois campos situados na Rodovia AM-010, na Granja Miyamoto, Km 37 e na Fazenda Yuricam, Km 100, com plantas já em idade de produção, no período de maio/1999 a abril/2000, sendo duas na época das chuvas e duas na da estiagem.

Figura 1 - Folha de pupunheira (3a) utilizada na avaliação da severidade de doenças
Na Fazenda Yuricam, o delineamento experimental foi de blocos casualizados, seguindo o esquema fatorial (3x5) com 3 repetições, sendo os fatores: fórmula de adubação NPK (0-0-0; 112,5-12,5-90; 225-25-180; 225-90-180 e 337-38-270 kg/ha) e espaçamentos (1x1; 2x1 e 2x1,5m) Na área da Granja Miyamoto o delineamento experimental foi de blocos casualizados com esquema fatorial 33 e 2 repetições, sendo os fatores níveis de adubação em kg/ha: N (75-150-225); P2O5 (30-60-90) e K2O (60-120-180), com e sem adubação orgânica e espaçamento 2x1 m.
Para avaliação da severidade de doenças, foi utilizada a terceira folha de cada planta com sintomas (Figura 1) e a análise feita através da seguinte escala diagramática de Cobb com notas de 1 a 5, de acordo com os níveis de infecção e área foliar coberta.
- Fraca - 1 %;
- 2 - Leve - 5 %;
- Moderada - 10 %;
- Pesada - 25 %;
- Muito pesada - + de 50 %.
Para a diagnose das doenças , amostras de folhas apresentando diferentes sintomas foram coletadas de cada campo, procedendo-se o isolamento, purificação e identificação, a nível de gênero, dos patógenos (fungos). Para comprovação do poder patogênico destes, mudas de pupunheira foram inoculadas em casa-de-vegetação, através de dois tratamentos, pulverização de suspensão de 106 conídios/ml e deposição de discos de cultura em folhas, ambos com e sem ferimento, permanecendo por 24 horas em condições de câmara úmida. Foram inoculadas cinco plantas/tratamento.
A avaliação realizada por observações diárias até o aparecimento dos sintomas típicos de cada patógeno.
Resultados e Discussão

Figura 2 - Severidade de doenças foliares da pupunheira na Fazenda Yuricam em diferentes períodos e espaçamentos.
Na área da Fazenda Yuricam, a severidade de doenças foliares da pupunheira mostrou-se maior no período de estiagem com menor espaçamento 1x1m em relação aos espaçamentos 2x1 e 2x1,5, não havendo diferença significativa na transição entre o final do período seco e início da estiagem (Figura 2).
Quanto ao efeito da adubação, verificou-se que na Granja Miyamoto houve menor incidência de doenças foliares nos blocos que receberam adubação orgânica (esterco). Entretanto, em relação à adubação química o índice de severidade foi maior no início do período chuvoso (2,51) do que no seu final (1,83), contrariando resultado encontrado por Costa et al. (1998).

Figura 3 - Relação entre severidade de doenças foliares da pupunheira em diferentes fórmulas de adubação e períodos climáticos.
No início do período de estiagem na Fazenda Yuricam (julho), não houve diferença na incidência de doenças entre os tratamentos que receberam adubação química. Já em plena época de estiagem (setembro), o tratamento que não recebeu adubação apresentou maior índice de doenças em relação aos demais tratamentos que foram adubados. No período chuvoso (abril), o índice de severidade (Figura 3) foi maior no tratamento sem adubação (0-0-0) e menor nos tratamentos 3 (225-25-180) e 4 (225-90-180).
Foi constatada a presença dos seguintes fungos fitopatogênicos causando manchas foliares em pupunheira:
- Colletotrichum gloeosporioides - manchas pequenas, escuras com margens bem definidas (Figura 4);
- Curvularia eraglostides - lesões elípticas marrom-escuras brilhantes (Figura 5);
- Pestalotiopsis spp - manchas ovais, inicialmente aquosas, e posteriormente necróticas (Figura 6), e ainda os fungos Phomopsis ssp, Lasiodiplodia sp e Geotrichum sp, causando lesões de diferentes formas e tamanhos.

Figura 4 - Manchas escuras e pequenas causadas por Colletotrichum gloeosporioides

Figura 5 - Lesões elípticas marrom brilhantes causadas por Curvularia eraglostides
Figura 6 - Pestalotiopsis spp causando lesões ovais com centro cinza
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1INPA/CPCA, Cx.P. 478, 69011-970, MANAUS-AM